BALADAS GOSPEL: UM GOLPE NA SANTIDADE CRISTÃ

10/06/2013 11:45

 

 

"Portanto assim diz o SENHOR: Se tu voltares, então te trarei,

e estarás diante de mim;

e se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; convertam-se eles para ti,

mas tu não te convertas para eles."

(Jeremias 15.19)

 

Deus nos desafia, através do texto bíblico acima, a sermos um padrão no qual o mundo possa se espelhar e reprova o contrário. Todavia, temos visto um cenário lamentável, depreciativo e profundamente desrespeitoso com o evangelho, que se propaga como uma tsunami em nossas igrejas, adaptando o mundo ao universo cristão, gerando uma caricatura monstruosa daquilo que fomos um dia e que hoje causa náuseas e vergonha naqueles que amam a sã doutrina.

 

É nesse contexto que surgem as chamadas “Baladas Gospel”. Jovens evangélicos estão frequentando casas de shows e espetáculos ou simplesmente boates, que se dizem evangélicas e que promovem um clima de badalação que não deixa nada a desejar para qualquer casa noturna mundana. Prova disso é que essas festas são animadas por figuras que se dizem “DJ’s Gospel, ao som de canções evangélicas que sofrem alterações técnicas para que se adaptem ao estilo eletrônico. Danças, histerias, gritos, flertes e seguramente muito mais são comuns nesses ambientes, que não glorificam o nome de Deus, não promovem o verdadeiro louvor e adoração, não estimulam uma vida cristã piedosa e contribuem decisivamente para a derrocada espiritual de seus frequentadores.

 

Que me perdoem os defensores dessa aberração inaceitável, dentre os quais lamentavelmente estão muitos pastores, mas hoje e agora estamos aqui para erguer uma voz sincera de combate a esse absurdo.

 

É pecado frequentar uma balada gospel?

 

Há poucos dias recebi um email de um jovem paranaense me fazendo essa pergunta. Lembro-me bem da resposta que o enviei.

 

Quem é nascido de novo, verdadeiramente, é livre para fazer qualquer coisa que desejar. Só não pode pecar! 

 

Se o que desejo é algo que entristece a Deus, e mesmo assim eu uso da minha liberdade para fazê-lo, então já estou pecando. Deus perdoa? Claro que perdoa, mas sempre haverá algum tipo de consequência. 

 

O jovem pode ir a uma balada, sem pecar. Só não pode ser hipócrita dizendo que vai para adorar a Deus, pois isso não é verdade. O jovem que vai a baladas, sejam elas gospel ou não, vai  para divertir-se, mesmo que seja uma diversão sem pecado. Quem quer adorar a Deus por meio da música vai para as vigílias ou para os cultos e não para baladas. 

 

As baladas “gospel” não têm nenhuma relação com adoração a Deus, antes visam a busca de lucros por parte dos organizadores ou a exposição de bandas e CDs. 

 

Portanto, quem deseja ir a um evento como esse, que vá, sabendo, porém, que está indo para divertir-se e não para adorar a Deus. Pese na balança o que lhe compete como cristão. 

 

 

Shows e Baladas devem ser consentidos pelos líderes cristãos?

 

Há uma profunda diferença entre um show e um culto. Show significa dar às pessoas o que elas querem: a satisfação da carne. Culto significa dar a Deus o que lhe pertence: todo o louvor. Eu nunca frequentei shows gospel e de forma alguma recomendo as chamadas baladas.

 

Entendo firmemente que a liderança cristã deve reprovar o chamado evangelho-show!  Mas por quê?

 

Porque o Evangelho deve ser comunicado, não da maneira que as pessoas desejam ouvi-lo, e sim da maneira que precisam ouvi-lo. O evangelho do entretenimento não produz discípulos de Jesus, como ordena a Palavra do Senhor, literalmente, em Mateus 28.19: “fazei discípulos de todos os povos”.

 

Em 2 Crônicas 20.18 está escrito que Josafá prostrou-se com o rosto em terra, adorando a Deus. O mesmo podemos comprovar em 2 Crônicas 29.29, Neemias 8.6, Jó 1.20 e Salmos 95.6. Em Mateus 2.11, a respeito dos magos do Oriente, lemos a expressão: “e, prostrando-se, o adoravam”.

 

Onde está, porém, a adoração tão mencionada pelos seguidores do evangelho-show? Em todas as passagens citadas a respeito da adoração, ela é acompanhada de prostração, quebrantamento, choro, humilhação. Isso é o verdadeiro produto do adorador, e não os shows e baladas, com seus canhões de luzes coloridas, danças, gelo sexo, canções de autoajuda, estrelismo, gritos frenéticos, ritmos eletrizantes, linguagem torpe e outros comportamentos similares, que foram criados no mundo e lá existem até os dias atuais!

 

Deus reprova o evangelho-show porque este oferece ao povo o que ele deseja, assim como fez Arão (Êx 32.1-6). Por influência desse falso evangelho, os cultos não têm mais espaço para a exposição da Palavra de Deus. No mínimo, dois terços das nossas reuniões de “adoração” são preenchidas com cântico, música e irreverência. Mas o Senhor tem levantado homens e mulheres que, à semelhança de Moisés, têm dado ao seu povo o que ele precisa (Êx 32.7-35).

 

No meu ponto de vista o evangelho-show e das baladas precisa acabar. O show da falsidade, da mentira, da apelação, do engodo, do amor ao dinheiro. Voltemos a cultuar ao Senhor Jesus em nossas igrejas! Com menos cantoria e mais louvor. Com menos triunfalismo e mais pregação cristocêntrica. Com menos sofisticação e mais simplicidade. Com menos performance gestual e mais quebrantamento do coração. Com menos descontração e mais arrependimento.

 

Deus sempre será contrário ao evangelho-show, porque show não é culto, e culto não é show.

Ele quer que nos humilhemos diante dEle: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar [...], então, eu ouvirei dos céus” (2 Cr 7.14).

 

O exemplo de Miriam

 

É impressionante como o episódio que narra a dança de Miriam é tão mal interpretado (ou melhor, astutamente aproveitado) pelos defensores do chamado “ministério de dança na igreja” e também pelos que apoiam os show e baladas gospel.

Está escrito em Êxodo 15.19-20, NTLH

 

“Os israelitas atravessaram o mar em terra seca. Porém, quando os carros de guerra dos egípcios, com os seus cavalos e cavaleiros, entraram no mar, o SENHOR Deus fez com que as águas voltassem e os cobrissem.

A profetisa Míriam, que era irmã de Arão, pegou um pandeiro, e todas as mulheres a acompanharam, tocando pandeiro e dançando.”

Os que tentam se fundamentar no texto acima deveriam também considerar Êxodo 32.19-22, onde a dança aparece num outro contexto:

“Quando Moisés chegou perto do acampamento, viu o bezerro de ouro e o povo, que estava dançando, e ficou furioso. Ali, ao pé do monte, ele jogou no chão as placas de pedra que estava carregando e quebrou-as.

Então pegou o bezerro de ouro que eles haviam feito, queimou-o no fogo e o moeu até virar pó e espalhou o pó na água. Em seguida mandou que o povo de Israel bebesse daquela água.

E Moisés disse a Arão: — O que é que esta gente lhe fez, para que você a levasse a cometer esse pecado tão horrível?

Arão respondeu: — Não fique com raiva de mim. Você sabe como este povo está sempre pronto para fazer o mal.”

 

Percebam que a dança está presente nos dois episódios, só que no segundo ela foi reprovada, e por várias razões:

 

1. O propósito inicial não era a glória de Deus:

“[...] faça para nós deuses que vão à nossa frente;” (v.1)

 

2. A celebração continha elementos da idolatria (no caso o bezerro):

“derramou o ouro dentro de um molde e fez um bezerro de ouro.” (v. 4)

 

3. A dança acabou atraindo e associando-se a outros elementos:

“Depois o povo sentou-se para comer e beber e se levantou para se divertir” (v. 6). Na nota de rodapé da Bíblia de Estudo Almeida sobre este versículo, lemos o seguinte:

“Em Gn 26.8; 39.17, o verbo hebraico aqui traduzido por divertir-se se refere a prática de caráter sexual. Este v. é citado em 1 Co 10.7 como um caso representativo da infidelidade e idolatria dos israelitas no deserto.”

Embriaguez e sexo estavam, como ainda estão, associados às baladas modernas e mundanas, pois são manifestações da carne e para a carne, onde em nada glorificam a Deus.

 

4. O Senhor chamou a atitude do povo de “corrupção” e “rejeição a Ele”:

“Então o SENHOR Deus disse a Moisés: Desça depressa porque o seu povo, o povo que você tirou do Egito, pecou e me rejeitou.” (v. 7, NTLH)

“Então, disse o SENHOR a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu.” (v. 7, ARA)

 

5. O Senhor se indignou contra a atitude do povo:

“9 Eu conheço este povo e sei que é muito teimoso. 10 Agora não tente me impedir, pois vou descarregar a minha ira sobre esta gente e vou acabar com eles.[...]“.

 

6. Moisés, diante dos fatos, tomou uma atitude radical:

“Então pegou o bezerro de ouro que eles haviam feito, queimou-o no fogo e o moeu até virar pó e espalhou o pó na água. Em seguida mandou que o povo de Israel bebesse daquela água.” (v. 20, NTLH)

 

Diante do que estamos vendo no meio da nossa juventude, qual tem sido o nosso posicionamento como líderes, uma vez que fomos investidos por Deus com autoridade para “queimar” e “reduzir bezerros de ouro a pó”?

 

O interessante é que Moisés lidou com a questão de maneira imparcial. Todos que erraram foram tratados da mesma forma, independente de laços de amizade, familiares ou de condições sociais e financeiras.

 

7. Diante de uma situação ridícula, geralmente se escutam justificativas ridículas dos seus líderes e apoiadores (Êx 32.33-34, NTLH):

“Arão respondeu: — Não fique com raiva de mim. Você sabe como este povo está sempre pronto para fazer o mal.

Eles me disseram: “Não sabemos o que aconteceu com Moisés, aquele homem que nos tirou do Egito. Portanto, faça para nós deuses que sejam os nossos líderes.”

Aí eu mandei que quem tivesse enfeites de ouro os tirasse e me desse. Joguei aqueles enfeites no fogo, e saiu este bezerro!”

 

As justificativas ridículas de Arão foram:

 

- Transferir a responsabilidade para a pressão do povo (v. 22 e 23)

- Afirmar que o bezerro formou-se quase que sozinho (24), onde o v. 4 no diz que “Este, recebendo das suas mãos, trabalhou o ouro com buril e fez dele um bezerro fundido.”, tentando dessa forma atenuar a sua responsabilidade.

Como se percebe, tentar sustentar uma prática (no caso aqui a dança na balada gospel) num texto isolado é um artifício perigoso.

 

Em termos práticos e atuais, afirmar que a balada gospel é uma “simples diversão”, além de simplismo, ingenuidade e até maldade, levanta ainda outras questões:

 

1. Na balada gospel, além das músicas eletrônicas e agitadas, pode-se dançar também músicas românticas?

 

2. Se a balada gospel é simples diversão, o funk gospel, o pagode gospel, o forró gospel, e outras “novidades” não seriam também? Se legitimarmos e tolerarmos um, não teríamos que legitimar ou tolerar os outros? E onde isso tudo vai parar?

 

Penso que se essa “nova onda” não for tratada logo, haverão grandes prejuízos e enormes estragos na vida espiritual dos jovens evangélicos.

 

Quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra? (Lucas 18:10)

 

Temos assistido a uma decadência gritante no que concerne ao compromisso de fé e santificação cristã. Duas décadas de influência do movimento G12 na igreja evangélica brasileira proporcionou uma deformação espiritual sem precedentes em meio à mesma.

 

Liberalismos, condescendências, contemporizações e adaptações ao mundo são fenômenos comuns e o inimaginável para nossos antigos e pioneiros desbravadores da fé, hoje é prática comum em nosso meio.

 

Jovens cristãos da atualidade em nada se assemelham aos jovens evangélicos de 20 anos atrás. As fronteiras da ética desapareceram. A preocupação com a diferença inexiste e o jovem que frequenta a igreja também está presente nos ambientes oferecidos pelo mundo, com igual aparência, com a mesma linguagem e sem qualquer aspecto visível que o diferencie da multidão. É a “crise da fé” substituindo a santidade da igreja por uma versão do mundo em seus recintos – palco perfeito para o surgimento e proliferação de blasfêmias do nível das baladas gospel.

 

O panorama não é otimista, a tendência é decadente – mas nem eu, nem você e nem nossos filhos temos a obrigação de pertencer, aprovar e participar de toda essa degeneração.

 

Que Deus no abençoe, em Nome de Jesus!

 

 


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