Como apresentar Deus para um coração que duvida de Sua existência?

09/05/2013 11:21

 

 

Queridos amigos e irmãos, diversos leitores já vinham me cobrando novas postagens nessa Seção. Peço desculpas. A abrangência temática do site é algo que consome muito de meu tempo, requerendo de mim profundas pesquisas, além de muita oração, pois não são poucas as hostilidades e oposições que recebemos em virtude da impopularidade de grande parte de nossas publicações.

 

Todavia, seguimos com a consciência tranquila. Esse é o Ministério que o Senhor nos deu e alegremente seguimos firmes, olhando para o alvo, que é o prêmio de nossa soberana vocação: Cristo Jesus.

 

Hoje, daremos uma ênfase especial no tema “Deus”. O ateísmo ataca frontalmente todos os atributos Divinos, sobretudo o mais essencial deles, que é a Sua existência. Como muitos leitores abordam essa questão, passaremos a responder algumas, com o fim de contribuir para o argumento lógico, racional e óbvio de que Deus é a mais real de todas as verdades do universo.

 

Que o Senhor nos abençoe em mais essa empreitada!

 

Juliana Enéas Silva – Acadêmica de Filosofia, pergunta:

 

Oi. Tenho uma pergunta: quem criou deus?

Em tua opinião, se nunca tivesses ouvido falar em deus, se ele nunca tivesse passado na TV, e os teus familiares e conhecidos nunca tivessem ouvido falar disso, como é que ele iria parar no teu cérebro?

 

Resposta

 

A pergunta "quem criou deus" é por si só uma falácia. Pois Deus por definição é um ser necessário ou não-contingente. Os argumentos cosmológico e ontológico para a existência de Deus, por exemplo, exigem que Deus seja um ser atemporal, imaterial, necessário e muito poderoso. Por outro lado, você cita um “deus” com “d” minúsculo, o qual seguramente nada tem em comum com o Deus Todo poderoso a quem eu prego.

 

Em relação à segunda pergunta, seria possível sim que eu nunca tivesse ouvido falar em Deus, assim como há de fato muitas pessoas no mundo que não o conhecem. Mas Ele se revelou historicamente ao mundo e Sua mensagem tem sido espalhada desde os tempos de Cristo.

 

E mesmo que nunca tivesse ouvido falar dEle, ainda há todas as maravilhas da natureza, a ordem intrínseca do Universo, a perfeição da biologia, a voz da consciência e nosso senso moral, constituindo provas não-teológicas que também apontam para um Criador.

 

Fausto Silva – Ateu convicto, pergunta:

 

Ninguém me convence com gritarias. Quero provas reais. Qual é a evidência concreta mais forte que comprove a existência de um deus (ou deuses)?

 

Resposta

 

Obrigado Fausto. Entendo sua necessidade de respostas objetivas e concordo que elas sejam necessárias.

Antes de responder se há ou não evidências, é preciso definir alguns pontos fundamentais: 

 

1. De que tipo de evidências estamos falando? 

2. Existe algum tipo de evidência que deveríamos esperar, caso Deus existisse? 

3. A existência de Deus pode ser provada cientificamente?

 

Uma objeção frequente de ateus (e até de agnósticos) em relação à existência de Deus é que, segundo eles, não há evidências suficientes para que se acredite. Mas afinal, de que tipo de evidências eles estariam falando? Se você falar com um deles (e eu já perdi a conta de quantas vezes ouvi isso), eles dirão "Se todos os casos de câncer do mundo forem curados instantaneamente, acreditarei em Deus", ou "se todos os porquinhos-da-índia voarem, eu acredito", ou "se esta cadeira começar a levitar na minha frente, então Deus existe." É evidente que estas pessoas não pararam pra pensar nas duas primeiras perguntas que eu propus acima. Então, vamos refletir um pouco sobre isso:

 

Existe uma disciplina muito conhecida do meio acadêmico, chamada metodologia da pesquisa, e ela possui alguns princípios básicos:

(1) a definição do escopo de busca;

(2) a definição do plano de discussão;

(3) a definição do tipo de evidência esperada que irá reforçar ou negar a tese.

 

Se você falhar na definição de algum destes itens, consequentemente falhará na validade de suas conclusões. Por exemplo, mesmo que o ateu diga "Aceito qualquer evidência empírica, comprovável", ele está falhando em relação ao princípio (3) por ser vago demais.

 

Segundo os princípios que eu citei, torna-se óbvio que a segunda opção é a mais adequada. Agora, em relação a prova ser "concreta" ou "empírica", comete-se a falácia da inversão de planos, o que quebra os princípios (1) e (2). A discussão sobre a existência de Deus é feita no plano metafísico, afinal Deus por definição é metafísico. Deve-se ter em mente aqui que, em discussões metafísicas, não existem "provas" no sentido matemático ou científico, mas sim adotam-se as posições mais coerentes. Exemplos de outras discussões metafísicas são: a universalidade das leis físicas no Universo, a impossibilidade de um infinito real, a existência de um mundo exterior a nossas mentes, etc.

 

Uma objeção frequente a este ponto é que se Deus, mesmo sendo metafísico, interage com o mundo físico, esta interação pode (e deve, segundo eles) ser verificada. O problema com este raciocínio é que Deus interage com o mundo físico de forma pontual e extraordinária (com milagres, por exemplo). Milagres, por definição, não são eventos reprodutíveis, portanto nunca podem ser testados pelo método científico. (Note que isto não quer dizer que não existem, assim como você não pode dizer que não existe luz infravermelha só porque você não pode vê-la. Ela apenas está "fora do escopo" da sua visão). Isto, portanto, esclarece também a terceira questão.

 

Continuando nossa linha de raciocínio, agora que já estabelecemos as bases filosóficas do assunto, chegamos à conclusão de que não se pode esperar qualquer evidência que se queira para a existência de Deus, nem uma prova científica, nem uma prova matemática. Mas então, como saber que Deus existe, afinal?

 

Existem argumentos filosóficos lógicos para a existência de Deus. Estes argumentos geralmente são um conjunto de premissas em que se segue a conclusão lógica de que Deus existe. Eles não 'provam' que Deus existe, dada a impossibilidade de provar uma afirmação metafísica, como já comentei. Entretanto, eles oferecem boas razões para que acreditemos nisso (assim como temos boas razões para acreditar que as leis físicas são universais, que não existe um infinito real e que existe um mundo exterior à nossa mente).

 

O fato de existirem argumentos que são boas razões para acreditarmos não quer dizer que estes argumentos são capazes de convencer todos os seres pensantes. E isto também é uma objeção frequente aos argumentos a favor da existência de Deus. O ateu alega que, se tal argumento não o convence, então o argumento não prova a existência de Deus ou então é inútil. Mas, provavelmente, o ateu nunca parou pra pensar que isto é uma consequência de qualquer afirmação metafísica. É impossível construir um argumento sobre uma afirmação filosófica qualquer que seja convincente a todos os seres racionais. 

 

Para quem está acostumado com uma visão objetiva de mundo, com o método científico, mas ignora estes princípios básicos de filosofia, será natural procurar provas para a existência de Deus que estejam acima da possibilidade de dúvida. E pensam que o fato de os argumentos para a existência de Deus não produzirem uma certeza matemática enfraquece, por si só, a possibilidade da existência de Deus. Mas já vimos que não é assim. Isto só significa que a questão sobre a existência de Deus está no mesmo nível das outras questões metafísicas. Você não pode provar que Deus existe assim como você não pode provar que o computador que está na sua frente, neste momento, é real. Seus sentidos poderiam estar te enganando o tempo todo. E não adianta nem pedir ao seu irmão ou namorada para sentir o computador também, afinal você também não tem como provar que eles próprios são reais, em vez de um produto da sua mente.

 

Bem, prezado Fausto, acho que é mais ou menos isso. Pela Bíblia, meu trabalho seria mais fácil, mas em se tratando de uma pessoa que não crê na inspiração Divina das Escrituras, penso ter dado aqui uma justificativa racional e digna de sua apreciação.

 

 

J.R Aragão – Historiador e Professor, pergunta:

 

Senhor Reinaldo não gosto de suas afirmações que a presença do senso moral em nós seja prova da existência de deus. Não é porque Deus não existe que tudo é permitido. Nem tudo precisa de motivo, causa, se eu quiser eu posso não matar uma pessoa simplesmente por não matar, e nós já temos leis, polícia que julgam o que é certo e errado sem precisar de nenhum deus.

 

Resposta

 

Prezado professor, aqui não falamos sobre motivos para fazer algo (moral subjetiva), mas sobre moralidade objetiva, ou seja, que existem coisas que são certas ou erradas, independente da época, do lugar ou da pessoa. As leis humanas são criadas segundo princípios que muitas vezes são convenções da sociedade, mas o argumento moral vai além disso, pois fala sobre deveres ou princípios que estão acima de qualquer sociedade e estão no subconsciente de cada ser humano. 

Entenda que isto só é possível porque Deus existe, pois se Deus não existe, somos fruto de uma evolução sem propósito e por acaso, nossa existência não tem nenhum significado ou razão especial, por isso não existe um dever OBJETIVO de fazer ou não fazer algo. Para o ateu, o dever de fazer algo é subjetivo, é imposto pelas regras da sociedade ou uma herança da evolução das espécies e instinto de sobrevivência. Para o ateu, não faz diferença se você vive sua vida como um Adolf Hitler ou uma Madre Teresa, pois o fim dos dois é o mesmo: morte e cessação da existência. E no final toda a humanidade vai ser extinta de qualquer jeito, isto é inevitável para o ateu. Não faz nenhuma diferença OBJETIVA para ele terminar sua vida agora mesmo ou viver 1000 anos. Você pode pensar "ah, mas isso é errado, se eu viver de forma a prejudicar os outros é ruim"... mas eu pergunto "porque é ruim?" Se Deus não existe, não há motivo para ser ruim. Por causa da objetividade da moralidade humana, temos mais uma razão para acreditar que Deus existe. Peço que reflita com carinho nisso.

 

Meus queridos, paro por aqui para não tornar essa leitura demasiadamente exaustiva. Em breve, publicamos novas questões. Que Deus faça desse trabalho, um instrumento de iluminação dos corações obscurecidos pelo engano da incredulidade.

 

 

 

 


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