DEBATENDO O MINISTÉRIO PASTORAL FEMININO

08/05/2013 10:21

 

 

Queridos amigos e irmãos, hoje daremos espaço a perguntas que nos são enviadas por leitores, abordando as polêmicas em torno do feminismo e sua influência na igreja cristã. Por 2.000 anos a igreja manteve um padrão postural e uma eclesiologia que tradicionalmente definiu alguns limites para o trabalho ministerial da mulher na igreja. Esses aspectos sempre foram fortemente embasados pela fundamentação bíblica, que claramente, sobretudo nos escritos paulinos, estabelecem algumas restrições, principalmente no que concerne à função pastoral ou de doutrinamento na igreja.

 

Todavia em dias atuais, a maior parte das igrejas e ministérios já adere à total desconsideração dessas premissas bíblicas e temos presbíteras, pastoras, bispas e até apóstolas sendo ordenadas e encorajadas e buscar esse direcionamento ministerial por toda parte do Brasil e do mundo.

 

A questão da mulher na igreja, porém, suscita não só essas como muitas outras dúvidas. Aqui selecionamos cinco delas, enviadas por pessoas das mais diversas regiões e que sintetizam tais dúvidas e confusões acerca do tema. Sabemos que a abordagem do assunto da forma como aqui faremos é algo que agitará ânimos e ímpetos carnais, sobretudo daqueles que insistem em ver com olhar de competição a coexistência entre os gêneros, que aos olhos de Deus se dá no nível da mútua cooperação e com papéis definidos. A relevância e necessidade de um debate sério sobre o tema, porém, nos levam a conduzi-lo adiante, apesar de todos os equívocos interpretativos que certamente nos alcançarão aqui.

 

Sigamos em frente e que Deus nos ajude.

 

Pergunta enviada por Marília Mendonça – São Bernardo do Campo (SP)

 

Prezado irmão Reinaldo, eu tenho dúvidas sobre a questão do modo de se vestir das mulheres. Quando não temos 8 temos 80 em nossas igrejas. Algumas proíbem certos tipos de vestimentas porque acham que seja algo sensual e indevido. Outras igrejas dão liberdade e nós vemos verdadeiros escândalos na imagem das mulheres cristãs. Me diga qual é a real posição da Bíblia sobre a maneira da mulher cristã se vestir.

 

Resposta

 

Obrigado querida irmã Marilia. Sua pergunta é extremamente importante e requer uma reflexão sincera tanto por parte dos líderes atuais, como de nossas irmãs que precisam verdadeiramente estar atentas a esses aspectos.

 

Quando abrimos a Palavra de Deus em 1 Timóteo 2:1-15, notamos que o Apóstolo Paulo dá instruções de adoração pública aos crentes. Dentro deste contexto, ele instrui mulheres na congregação a se vestirem modestamente [isto é, com pudor e discrição] ao invés de em ostentação ou maneira centrada em ornamentos (vv. 9-10). Mas ao invés de simplesmente escrever um manual para mulheres de estilo legalista, Paulo escreveu estes versículos pela inspiração do Espírito Santo em um esforço para deixar bem estabelecido um princípio bíblico de adoração corporativa na igreja local. O princípio é este: O caráter da mulher é mais importante do que o traje dela. A mulher temente a Deus deve se adornar com boas obras. O seu adorno, que a faz atraente, não é a suntuosidade de sua ornamentação, mas a exibição de um sincero caráter cristão. Cada mulher crente deve valorizar muito mais um testemunho de suas obras cristãs do que a reputação de ser a mulher mais bem vestida da congregação.

 

Alguns exemplos claros disso nas Escrituras são os de Febe, Lídia e Dorcas, como aquelas cujas obras foram edificantes para o corpo de Cristo e deixaram impressões permanentes não somente naqueles com quem elas tiveram contato, mas também sobre a igreja inteira até nossos dias.

Mesmo hoje, mulheres mais experientes têm a responsabilidade, dentro da igreja local, de ministrarem às mais jovens, o valor prioritário que compete à beleza não do aspecto físico (pois assim vive, pensa e ensina o mundo que jaz no maligno), mas de suas boas obras e de serem conhecidas pelo que elas verdadeiramente são, através do seu caráter cristão piedoso.

 

Dália Christine – Uberlândia (MG)

 

Pastor Reinaldo eu já ouvi muitos pastores falando que existem muitos ministérios que uma mulher pode desenvolver dentro da Igreja que não seja o pastoral. Que ministérios seriam esses?

 

Resposta

 

Olá querida Dália. É verdade. Há um campo vasto e farto de possíveis atuações do competente e eficaz dom feminino na Obra de Deus, e todos são de fundamentação importância para o bom funcionamento orgânico e espiritual do Corpo de Cristo. Eis algumas sugestões:

 

. Um Ministério na Educação Cristã

Um Ministério em Escolas Cristãs

Um Ministério em Educação Cristã Superior

Um Ministério em Evangelismo Pessoal e Discipulado

Um Ministério de Evangelismo com Crianças

Um Ministério em Missões

Um Ministério para Mulheres (Departamentos de moças e/ou senhoras)

Um Ministério em Publicações Cristãs etc.

 

Pergunta enviada por Idailson Santana – Teresina (PI)

 

Olá Reinaldo Ribeiro, paz do Senhor. Eu já percebi que sobre essa questão de mulheres pastoras existem duas linhas de pensamento: os conservadores e tradicionais, que seguem o texto bíblico que proíbe o ministério pastoral de mulheres e existe também a linha progressista, daqueles que tentam entender de outro jeito esses textos e que usam os tempos modernos e as mudanças da sociedade como razão para justificar essas ordenações. Me responda porque apesar das passagens bíblicas serem tão claras, mesmo assim tanta gente discorda e prefere seguir por outro caminho?

 

Resposta

 

Querido Idailson, muito obrigado e antes de tudo me permita felicitá-lo pela forma brilhante e muito bem articulada com que elaborou sua tão importante e relevante pergunta.

 

Enquanto uma variedade de argumentos favorecendo o ponto de vista progressista existe, temos a clareza de referências bíblicas, como a de 1 Timóteo 2:9-15 que nos fornecem outra visão a respeito. Ainda antes de notar o que a Palavra de Deus diz sobre este importante problema, o leitor tem que decidir se sim ou se não ele ou ela aceitará as próprias palavras das Escrituras como as inspiradas e inerrantes palavras de Deus. Muitos que aderem a um ponto de vista progressista quanto a mulheres no ministério sustentam um baixo ponto de vista das Escrituras, vendo o texto bíblico como as ideias, filosofias e meditações de homens (tais como o apóstolo Paulo) ao invés de serem a verdadeira Palavra de Deus dada para homens pelo ato direto de inspiração pelo Espírito Santo. Se alguém conclui que as palavras do texto sob consideração simplesmente reflete o meio cultural do apóstolo Paulo e por esta razão não pode ser considerada com autoridade para o século 21, então nenhum outro argumento ou investigação no tópico pode prosseguir, pois as crenças dessa pessoa são sujeitas a conclusões e julgamentos de homens ao invés de à absoluta e imutável verdade do próprio Deus.

 

No entanto, se alguém aceita a Bíblia como inerrante, como autoridade e como "assoprada por Deus", então ele saberá que toda a Escritura "é proveitosa para ensinar" e ele desistirá de desfazer-se daquelas porções que ele não acredita serem relevantes ou aplicáveis à sua própria situação.

 

Pergunta enviada por Wanderlei Renisson – São Paulo (SP)

 

Senhor Reinaldo. Será que o senhor e os muitos machistas que lideram grande parte da igreja não percebem que a autoridade eclesiástica de hoje é fruto de uma cultura machista judaico-primitiva, e de que agora, na luz do século 21, devemos virar a própria mesa nisso? Onde está sua base bíblica para defender que mulheres não podem ser pastoras? Então a Palavra de Deus é propriedade apenas dos homens? E o que o senhor diria da regra áurea da igualdade que vemos em Mateus 7:12?

 

Resposta

 

Meu querido  Wanderley, respeito seu sentimento de indignação e quero crer que pacientemente posso lhe esclarecer essas questões. Não podemos distorcer Mateus 7:12 ao bel prazer de uma suposta “igualdade ministerial”, pois se defendermos esta posição, então teremos também que pedir desculpas aos homossexuais, lésbicas e travestis (entre outros) porque a ciência e a cultura de hoje já nos ensinam que certas pessoas até nascem com esta tendência e, portanto, não seria pecado tal prática. Estariam, portanto, a ciência e a sociologia corretas e Deus errado? Não é o que penso.

 

Quando Paulo argumenta contra a autoridade da mulher, ele não menciona costumes culturais, mas sustenta um conjunto de argumentos teológicos. Ele cita a submissão dos anjos e aponta também para a hierarquia evidenciada pela própria criação (1Co.11:7-10,14).

 

Para apoiar o ministério de mulheres teríamos que passar por cima de uma série de textos bíblicos:

 

Paulo ordenou apenas homens ao presbitério (At.14:23); nenhuma mulher foi chamada para acompanhar Paulo e Barnabé (At.13:1-3); o Espírito Santo constituiu bispos e não bispas (At.20:28); em Filipos haviam bispos e diáconos, não havia bispas e diaconisas (Fp.1:1); Paulo não ensinou ordenação de mulheres (1Tm.3:1-5); a consagração ao ministério era realizado por intermédio do presbitério, que era composto de homens (1Tm.4:14; 5:17,22); em Creta, onde havia muita imoralidade (inclusive homossexualismo e lesbianismo), apenas homens foram prescritos para o presbitério (Tt.1:5). Pedro não menciona mulheres presbíteras em suas cartas (1Pe.5:1-4); Tiago não incluiu as mulheres entre os presbíteros, para fazerem orações de fé (Tg.5:14). A Carta aos Hebreus também não menciona mulheres entre os pastores (Hb.13:7,17).

 

Que dizer da história da igreja? Durante séculos nunca se ouviu falar em mulheres no ministério. Isso é uma questão recente. Esta polêmica não vem de um contexto teológico, mas político-social dos Estados Unidos, na virada do século 19 (ela teve seu berço no meio evangélico em 1848 com a convenção de mulheres na capela da Igreja Metodista Wesleiana, em Seneca Fall, New York, nos EUA).

 

Será que a Igreja, que é considerada coluna e baluarte da verdade (1Tm.3:15), errou por 19 séculos, durante os quais se omitiu quanto a ordenação de mulheres? Depois de 19 séculos, teria a Igreja recebido uma nova revelação divina, através da qual, sua visão, antes enebrecida pelo preconceito, teria sido aberta para enxergar e apoiar o ministério de mulheres? Deus permitiria tal injustiça contra as mulheres por 19 séculos? Por que Deus não fez esta revelação logo no início da era cristã? Por que Ele tardou 19 séculos para fazer justiça?

 

Portanto, não é o machismo e nem a influência judaico primitiva que me impele a pensar e pregar dessa forma, mas o lógico raciocínio hermenêutico baseado nas Escrituras e o legado histórico da Igreja.

 

Pergunta enviada por Katia Santos – Belém (PA)

 

Reinaldo Ribeiro eu li seu artigo sobre a questão do ministério pastoral feminino e achei que você foi brilhante. Mas isso não quer dizer que concordo plenamente. Ainda tem uma questão que me deixa confusa. Muitas pessoas dizem que as proibições de Paulo eram necessárias para aquela época mas não fazem mais sentido para o nosso tempo. Me faz entender por que ainda nos dias de hoje é certo proibir mulheres de serem pastoras?

 

Resposta

 

Obrigado Katia por sua pergunta, sobre a qual, com todo prazer, passo a discorrer.

 

Ultimamente eu tenho sido muito questionado se as mulheres devem servir no ministério. Minha resposta é sempre: “Sim, é claro! Todos os crentes são chamados para servir e ministrar uns aos outros.”

 

Entretanto, eu responderia de maneira diferente se a pergunta fosse mais precisamente assim: “Há ministérios nos quais as mulheres não devem servir?” Eu argumentaria que o Novo Testamento claramente ensina que as mulheres não deveriam servir como pastoras (função à qual o Novo Testamento também faz referências usando as palavras bispos ou anciãos - repare: sempre no masculino). Fica claro no Novo Testamento que os termos pastor, bispo e ancião referem-se à mesma função (cf. At 20.17, 28; Tt 1.5, 7; 1 Pe 5.1-2) e, no restante dessa resposta, usarei os termos “ancião” e “pastor” alternadamente para designar essa função.

 

A PROIBIÇÃO DE PAULO EM I TIMÓTEO 2.12

 

O texto fundamental que estabelece que as mulheres não deveriam servir como anciãs é 1 Timóteo 2.11-15. Lemos no verso 12: “Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem” (NVI). Nessa passagem, Paulo proíbe que as mulheres realizem duas atividades que caracterizam o ministério dos anciãos: ensino e exercício de autoridade. Dentre outras partes, vemos isso nos trechos referentes às qualificações para a função: Os anciãos devem ter habilidade para ensinar (1 Tm 3.2; 5.17; Tt 1.9; cf. At 20.17-34) e para liderar a igreja (1 Tm 3.4-5; 5.17). As mulheres são proibidas de ensinar aos homens e de exercer autoridade sobre eles e, portanto, não devem servir como anciãs.

 

Essa proibição ainda está em vigor?

 

Muitos argumentam que Paulo proibiu as mulheres de servirem como anciãs porque nos dias dele, as mulheres não recebiam educação e, portanto, eram desprovidas da habilidade de ensinar bem aos homens. Também existe o argumento de que as mulheres eram responsáveis pelo ensino falso que estava preocupando a congregação à qual Paulo escreveu em 1 Timóteo (1 Tm 1.3; 6.3). De acordo com essa leitura, Paulo apoiaria o serviço dessas mulheres como pastoras depois que elas fossem apropriadamente educadas na sã doutrina.

 

A proibição está fundamentada na criação, não em circunstâncias

 

Essas tentativas de relativizar a proibição de Paulo devem ser julgadas como mal sucedidas. Teria sido fácil para Paulo escrever: “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque elas não foram educadas”, ou, “Não quero que as mulheres ensinem, nem que exerçam autoridade sobre os homens porque estão espalhando ensino falso”. Contudo, qual razão Paulo realmente apresenta para a sua ordem no verso 12? A base lógica dele para tal ordem vem no verso seguinte: “Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva” (v. 13). Paulo não diz nada quanto à falta de educação ou quanto a mulheres promulgando ensino falso. Em vez disso, ele refere-se à ordem criada, à boa e perfeita intenção de Deus quando formou os seres humanos. É essencial cuidar para que a referência à criação indique que a ordem de as mulheres não ensinar nem exercerem autoridade sobre os homens seja uma palavra transcultural, uma proibição ligada à igreja em todas as épocas e em todos os lugares. Ao dar essa ordem, Paulo não remonta à criação caída, às consequências sofridas pela vida humana como um resultado do pecado. Mais propriamente falando, ele fundamenta a proibição em toda a boa criação que existiu antes de o pecado entrar no mundo.

 

O motivo principal pelo qual as mulheres não deveriam servir como pastoras é comunicado aqui e, assim, o argumento da criação não pode ser rejeitado como limitado culturalmente. Além disso, o Novo Testamento contém muitas referências semelhantes à ordem criada. Por exemplo, o homossexualismo não está em harmonia com a vontade de Deus porque é “contrário à natureza” (Rm 1.26); ou seja, ele viola o que Deus pretendia quando fez seres humanos como homens e mulheres (Gn 1.26-27). Semelhantemente, Jesus ensina que o divórcio não é o ideal divino desde que, na criação, Deus fez um homem e uma mulher, significando que um homem deveria casar-se com uma mulher “até que a morte os separe” (Mt 19.3-12). Assim, também, toda comida deve ser recebida com gratidão desde que é um dom da mão criadora de Deus (1 Tm 4.3-5).

 

Em 1 Timóteo 2.11-15, Paulo especificamente fundamenta sua proibição de mulheres ensinando e exercendo autoridade na ordem da criação, isto é, que Adão foi criado primeiro e, depois, Eva (Gn 2.4-25). A narrativa em Gênesis é construída cuidadosamente, e Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo, nos ajuda a ver o significado de Eva sendo criada depois de Adão. Os críticos ocasionalmente objetam que o argumento não convence desde que os animais foram criados antes dos seres humanos, mas isso falha em compreender o objetivo de Paulo. Só os seres humanos foram criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27) e, portanto, o apóstolo comunica o sentido de Deus criar o homem antes de criar a mulher, isto é, que o homem tem a responsabilidade de liderar.

 

Em 1 Timóteo 2.14, Paulo apresenta um segundo motivo pelo qual as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens: “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. O que Paulo pretende dizer aqui provavelmente não é que as mulheres são mais propensas a cometer erros do que os homens, pois em outro trecho as recomendou como professoras de mulheres e crianças (Tt 2.3; 2 Tm 1.5; 3.14-15), o que ele não faria se as mulheres fossem, por natureza, inclinadas ao engano. É possível que Paulo estivesse, mais uma vez, pensando no relato da criação, pois a serpente subverteu a ordem criada ao enganar Eva em vez de Adão (subvertendo, assim, a liderança masculina), ainda que exista evidência de que Adão estava com Eva quando a tentação ocorreu (Gn 3.6). O verso 14 não ensina que as mulheres são desprovidas de educação, porque engano é uma categoria moral, enquanto que falta de educação é remediada com o recebimento de instrução.

 

O fato de Eva haver sido enganada não pode ser atribuído a fraqueza intelectual, mas sim à rebeldia dela, ao desejo dela de ser independente de Deus. Além disso, a referência a engano aqui não indica que as mulheres de Éfeso tiveram um papel principal na difusão de ensinos falsos, pois os falsos mestres mencionados em 1 Timóteo são homens (1 Tm 1.20). De fato, se as mulheres fossem impedidas de ensinar por serem defensoras de ensinos falsos, teríamos a estranha e muito improvável situação em que todas as cristãs em Éfeso teriam sido enganadas por um falso ensino. Antes, a intenção de Paulo é dizer que o fato de Satanás haver tentado Eva em vez de Adão subverteu a liderança masculina, pois ele enganou e tentou a mulher apesar de Adão estar presente com Eva quando a tentação ocorreu. É verdade que, embora Eva tenha sido enganada antes pela serpente, a principal responsabilidade pelo pecado caiu sobre os ombros de Adão. Isso é evidente em Gênesis 3, pois o Senhor fala primeiro com Adão sobre o pecado do casal, e isso é confirmado por Romanos 5.12-19, onde a pecaminosidade da raça humana é traçada desde Adão e não de Eva.

 

Resumindo, 1 Timóteo 2.12 proíbe que as mulheres ensinem ou exerçam autoridade sobre homens na igreja. Essa proibição fundamenta-se na ordem da criação e é confirmada pela inversão de papéis que ocorreu na queda. Essa não é uma proibição limitada cultural ou contextualmente, que não aplica-se mais às igrejas.

 

O TESTEMUNHO CONFIRMATIVO DO RESTANTE DAS ESCRITURAS

 

O que aprendemos sobre os papéis dos homens e das mulheres tomando por base a criação dos mesmos.

 

O que vemos a respeito dos papéis dos homens e das mulheres no restante das Escrituras confirma o que lemos em 1 Timóteo 2.11-15. O livro de Gênesis dá seis evidências quanto aos maridos terem a responsabilidade principal da liderança no casamento: 1) Deus criou Adão primeiro e, depois, Eva. 2) Deus deu a Adão, e não a Eva, a ordem de não comerem do fruto da árvore. 3) Adão deu nome à “mulher”, assim como havia dado nome aos animais, indicando a sua autoridade (Gn 2.19-23). 4) Eva foi designada como “auxiliadora” de Adão (Gn 2.18). 5) A serpente enganou Eva e não Adão, subvertendo, assim, a liderança masculina (Gn 3.1-6); e 6) Deus veio primeiro a Adão, não obstante Eva houvesse pecado antes (Gn 3.9; cf. Rm 5.12-19).

 

O que aprendemos no ensino bíblico a respeito do casamento

 

O texto de Gênesis que foi mencionado concorda com o que descobrimos sobre casamento no Novo Testamento. Os esposos têm a responsabilidade principal da liderança, e as esposas são chamadas a submeterem-se à liderança de seus esposos (Ef 5.22-33; Cl 3.18-19; 1 Pe 3.1-7). O chamado à submissão para a esposa não está fundamentado em meras normas culturais, pois ela é chamada a submeter-se a seu esposo assim como a igreja é chamada a submeter-se a Cristo (Ef 5.22-24). Paulo designa o casamento como um “mistério” (Ef 5.32), e o mistério é que o casamento reflete o relacionamento de Cristo com a igreja. Então, a ordem para que os homens, e não as mulheres, sirvam como pastores concorda com o padrão bíblico de liderança e autoridade masculina dentro do casamento.

 

É crucial observar que um papel diferente para as mulheres não significa a inferioridade delas. Homens e mulheres foram igualmente criados à imagem de Deus (Gn 1.26-27). Eles têm igual acesso à salvação em Cristo (Gl 3.28) e, juntos, são herdeiros da grandiosa salvação que é nossa em Jesus Cristo (1 Pe 3.7). Os escritores bíblicos não lançam calúnias sobre a dignidade, inteligência e personalidade das mulheres. Vemos isso ainda mais claramente quando reconhecemos que, assim como Cristo submete-se ao Pai (1 Co 15.28), as esposas devem submeter-se aos seus esposos.

 

Cristo é igual ao Pai em dignidade e valor e, assim, sua submissão não pode ser compreendida como um indicador de inferioridade.

 

O que aprendemos em outras passagens sobre mulheres na igreja

 

1 Timóteo 2.11-15 não é o único texto que requer um papel diferente para homens e mulheres na igreja. Em 1 Coríntios 14.33b-36, Paulo ensina que as mulheres não devem falar na igreja. Essa passagem não proíbe que as mulheres falem absolutamente na assembléia, pois Paulo as encoraja a orarem e profetizarem na igreja (1 Co 11.5). O princípio de 1 Coríntios 14.33b-36 é que as mulheres não deveriam falar de uma maneira segundo a qual se rebelassem contra a liderança masculina ou tomassem sobre si uma autoridade injustificada, e esse princípio está em harmonia com a noção em 1 Timóteo 2.11-15, de que as mulheres não deveriam ensinar ou exercer autoridade sobre os homens.

 

Outro texto que nos direciona ao mesmo caminho é 1 Coríntios 11.2-16. Já vimos nessa passagem que Paulo permitiu às mulheres orarem e profetizarem na assembléia. É primordial entendermos que profecia não é um dom igual ao do ensino, pois os dons são distintos no Novo Testamento (1 Co 12.28). As mulheres serviram como profetas no Antigo Testamento, mas nunca como sacerdotisas. Semelhantemente, elas serviram como profetas no Novo Testamento, mas nunca como anciãs. Além disso, 1 Coríntios 11.2-16 deixa claro que quando as mulheres profetizassem, elas deveriam adornar-se de uma maneira que demonstrasse submissão à autoridade e liderança masculina (1 Co 11.3). Isso está de acordo com o que vimos em 1 Timóteo 2.11-15. As mulheres não são a liderança reconhecida da congregação e, portanto, não devem servir como professoras e líderes da congregação. O assunto fundamental em 1 Coríntios 11.2-16 não é o adorno das mulheres. Em todo caso, os estudiosos não estão certos de que o adorno descrito representa um véu ou um modo de usar o cabelo preso. Tal adorno era exigido nos dias de Paulo porque significava que as mulheres eram submissas à liderança masculina. Hoje, o modo como uma mulher usa seu cabelo, ou o fato de usar o véu não significa que ela é submissa ou não aos homens na liderança. Assim, deveríamos aplicar o princípio (ainda que não utilizemos a prática cultural específica) ao mundo de hoje: as mulheres deveriam ser submissas à liderança masculina, o que se manifesta em não servir como pastoras e professoras de homens.

 

CONCLUSÃO

 

As Escrituras claramente ensinam sobre os papéis únicos das mulheres na igreja e no lar. Elas são iguais aos homens em dignidade e valor, entretanto, possuem um papel diferente nesta jornada terrena. Deus lhes deu muitos dons diferentes com os quais elas podem servir à igreja e ao próximo, mas elas não devem servir como pastoras. O Senhor não deu suas ordens para punir as mulheres, mas para que elas possam servi-lo com alegria, de acordo com a vontade dele, num santo espírito de humilde obediência, livre das pecaminosas influências do ativismo feminista secular.

 

 

 

 


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