DIZIMO: LIBERTANDO OS ESCRAVOS DE UMA MENTIRA

01/02/2015 23:50

 

 

Pergunta enviada por Sebastião Almeida – São Luis(MA)

 

Pastor Reinaldo eu pertenço a uma conhecida igreja aqui de minha cidade que enfatiza muito a questão do dízimo. Recentemente o pastor disse no púlpito que todo cristão que deixa de entregar o dízimo ou que entrega menos de 10% é ladrão e disse também que a mão de Deus amaldiçoa os infiéis no dízimo. Isso me deixou muito preocupado e abatido, pois passo por dificuldades financeiras e nem sempre tenho conseguido dizimar. Eu corro algum risco de sofrer alguma maldição vinda de Deus?

 

Resposta

 

Meu querido irmão Sebastião, obrigado por me trazer a oportunidade de abordar esse importante assunto e poder assim ajudar não só a você, mas também a muitos irmãos espalhados por este país, que têm sido vítimas de ignorantes ou oportunistas, que distorcem a Palavra de Deus, oprimem o povo cristão e obtém lucro pessoal através da mentira e das heresias ligadas ao dízimo.

 

Fique em paz meu irmão, pois você não é nenhum ladrão e nem corre o risco de sofrer qualquer maldição vinda de Deus. A questão do dízimo gera dificuldade e resistência em muitos cristãos. Em muitas igrejas, o dízimo recebe excessiva ênfase e em outras é tratado como um artigo de terrorismo e barganhas contra a nossa gente humilde. Ao mesmo tempo, muitos cristãos não se submetem à exortação bíblica de ofertar ao Senhor. O dízimo e as ofertas deveriam ser uma alegria, uma bênção. Mas raramente é o que acontece nas igrejas hoje, infelizmente.



Dar o dízimo é um conceito do Velho Testamento. O dízimo era exigido pela lei na qual todos os israelitas deveriam dar ao Tabernáculo/Templo 10% de todo o fruto de seu trabalho e de tudo o que criassem (Levítico 27:30; Números 18:26; Deuteronômio 14:22; II Crônicas 31:5; Malaquias 3:8-10). Alguns entendem o dízimo no Velho Testamento como um método de taxação destinado a prover pelas necessidades dos sacerdotes e Levitas do sistema sacrificial. O Novo Testamento, em nenhum lugar ordena, e nem mesmo recomenda que os cristãos se submetam a um sistema legalista de dizimar. Paulo afirma que os crentes devem separar uma parte de seus ganhos para sustentar a igreja (I Coríntios 16:1-2).



O Novo Testamento, em lugar algum, determina que certa porcentagem de ganhos deva ser separada, mas apenas afirma que o servo de Deus deve contribuir (ofertar) “conforme a sua prosperidade” (I Coríntios 16:2). A igreja cristã muito posteriormente tomou esta proporção (10%) do dízimo do Velho Testamento e a incorporou como um “mínimo recomendado” para a oferta cristã. Entretanto, os cristãos não deveriam se sentir obrigados a se prender sempre à quantia de 10%. Deveriam ofertar de acordo com suas possibilidades, “conforme sua prosperidade”. Às vezes, isto significa dar mais do que 10%, às vezes, dar menos que 10%. Às vezes também, por motivos de força maior não é possível ofertar, e nem por isso o filho de Deus sincero deve se sentir em pecado como quem esteja roubando a Deus. Chamar de ladrão quem não dizima por falta de recursos é cometer desonestidade intelectual, é agredir maldosamente a correta interpretação de Malaquias 3 e constitui terrorismo religioso. Não estamos afirmando aqui que o dízimo deva ser abolido. O que precisa mudar é a forma como ele é ensinado e aplicado. É evidente que a ausência do dízimo afetaria a existência de muitas igrejas, todavia, sua prática deve estar pautada num sentimento de sincera adoração, de desprendimento ao materialismo, de voluntário apoio ao sustento da Obra - mas nunca (eu disse NUNCA) como uma forma de barganha ou como um gesto forçado pelo medo de estar "roubando a Deus" ou de uma eventual "maldição do devorador". O dízimo tem que ser uma prática feliz e voluntária. Tudo depende das possibilidades do cristão e das necessidades da igreja. Cada cristão deve cuidadosamente orar e buscar a sabedoria vinda de Deus no tocante à sua participação com o dízimo e/ou a quanto deve dar (Tiago 1:5). “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9:7).

 

Fique em paz meu amado irmão. Os 100% de sua sinceridade para com Deus é tudo que interessa a Cristo. Os 10% de sua renda só interessam a quem pretende deles se beneficiar.

 


 

 


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