Entendendo a igreja que não entende a Deus

07/04/2014 01:49

 

“O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono;

mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.”

(Isaías 1:3)

 

 

Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 1:10-20, onde o profeta repreende a Igreja do Antigo Testamento, chamando seus líderes de príncipes de Sodoma e Gomorra, cidades famosas pela devassidão e iniquidade. O povo de Deus havia se corrompido ao ponto de Deus não mais ter qualquer prazer em receber o culto e a adoração que ofereciam. Infelizmente, esse quadro de decadência e corrupção da Igreja de Deus neste mundo se repetiu por muitas vezes através da história. Nestes períodos o povo de Deus esfria em sua fé, endurece o coração, persevera no pecado e serve de péssimo testemunho ao mundo.

 

Nosso dever como Igreja e cristãos individuais é evitar que a decadência espiritual entre em nossas vidas. Mas para que isso ocorra é preciso que nos voltemos para a Bíblia e nela aprendamos o fazer para evitar o declínio espiritual da Igreja e nosso também:

 

Temos que tratar o pecado com seriedade. João 1.8 (se dissermos que não temos pecado…) João 2.6 (aquele que diz que permanece nele deve andar como ele…)

 

Nada arruína mais depressa a vida espiritual de uma comunidade do que permitir que os pecados dos seus membros permaneçam sem a abordagem que deveriam receber. Lemos na Bíblia que quando Acã desobedeceu a Deus, toda a comunidade sofreu as consequências. Nossos pecados públicos são um grande problema, mas também os nossos pecados ocultos, escondidos, não confessados, não arrependidos, constituem um tropeço espiritual, que entristece o Espírito de Deus, e acaba se espalhando pela Igreja e envenenando os bons costumes e a fé.

 

Temos que zelar pela sã doutrina da Palavra. Devemos ser radicalmente bíblicos – Quantas vezes estamos ligados às circunstâncias, experiências, supostas revelações, “novidades teológicas” e tradições que não são bíblicas? 



A verdade salva e edifica a Igreja, mas a mentira é a sua ruína. A verdade liberta, a mentira amarra… Devemos ser sinceros diante da Palavra de Deus. O erro religioso envenena as almas e desvia o povo dos retos caminhos de Deus. O Senhor Jesus criticou severamente a Igreja de Pérgamo por ser demasiadamente tolerante para com os falsos mestres que infestavam a comunidade com falsos ensinos (Apocalipse 2.14-15). Da mesma forma, repreendeu a Igreja de Tiatira por tolerar uma mulher chamada Jezabel, que se chamava profetiza, e que ensinava os membros da Igreja a praticar a imoralidade (Apocalipse 2:20). Devemos ser pacientes, tolerantes e verdadeiros, mas nunca ao preço de comprometermos o ensino puro do Evangelho.

 

Temos que andar perto do Senhor da Igreja. É Deus quem nos mantém firmes e puros. A Bíblia diz que se nós nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós. A Bíblia também nos ensina que Deus estabeleceu os meios pelos quais podemos estar em contínua comunhão com Ele. Estes meios são: os cultos públicos, as orações e devoções em particular, a leitura e a meditação nas Escrituras, a participação regular na Ceia do Senhor. Cristãos que deixam de usar estes meios acabam por decair espiritualmente, como uma brasa que é afastada da fogueira e logo perde seu calor. A negligência destes meios de graça abre a porta para a acelerada decadência espiritual e moral de uma Igreja. O desapontamento de muitos cristãos com o homem tem constituído uma moderna multidão de “desigrejados”. Não somos prisioneiros de uma denominação e nem devemos firmar nossa fé nas virtudes ou falhas de homens. Há pessoas boas e más. Há igrejas inadequadas e outras abençoadas. Sejamos sábios e saibamos discernir nossos passos e decisões.



A Igreja tem que estar aberta para reformar-se. O lema das Igrejas que nasceram da Reforma foi “Eclesia Reformata Semper Reformanda”. Ou seja, a Igreja deve sempre estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se de seus pecados e reformar-se em conformidade com o ensino das Escrituras. Nas cartas que mandou às igrejas da Ásia Menor através do apóstolo João, o Senhor Jesus determinou às que estavam erradas a que se arrependessem e retornassem aos retos caminhos de Deus (Apocalipse 2.5,16,21; 3.3,19). Elas precisavam ser reformadas e mudar o que estava errado. Existe grande perigo para uma igreja quando ela se fecha em si mesma, e deixa de ouvir a voz do seu Senhor, que deseja corrigi-la e traze-la de volta aos caminhos do Evangelho.

 


Estas medidas devem também ser aplicadas a nós, individualmente. Deveríamos procurar evitar a decadência espiritual da nossa prática religiosa, mantendo acesa a chama da fé pela frequência regular aos cultos, pela leitura diária da Bíblia, por uma vida de oração e comunhão com outros irmãos. Infelizmente, por negligenciarem sua vida espiritual, muitos cristãos estão contribuindo para enfraquecer o testemunho das igrejas evangélicas no mundo. 



Queira nosso Deus dar-nos força e vigor para nos mantermos sempre vivos espiritualmente!

 

 

 

 

 


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