Entre a fidelidade e as circunstâncias

21/10/2013 01:00

 

 

“Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco,

também é desonesto no muito.”

(Lucas 16:10)

 

 

Saul, o primeiro rei de Israel, iniciou seu trabalho como um homem simples que confiava em Deus. Mas depois que o primeiro sucesso militar reforçou sua popularidade, ele começou a confiar em sua própria sabedoria e deu menos importância à vontade de Deus. Quando se preparava para conduzir seus soldados na batalha contra a bem armada multidão dos filisteus, a confiança de Saul na Palavra de Deus foi testada.

 

Samuel, profeta de Deus e mentor de Saul, estava a caminho para oferecer um sacrifício a Deus. Para entender o que acontece neste relato, devemos lembrar que Deus fez uma separação no Antigo Testamento entre sacerdotes e outros ofícios. O trabalho de oferecer sacrifícios pertencia aos sacerdotes. Saul tinha um papel importante, mas ele era rei, e não sacerdote. Respeitando esta diferença de papeis, Samuel havia instruído Saul a esperar sete dias em Gilgal, onde este sacerdote faria o sacrifício e lhe daria orientações (1 Samuel 10:8).

 

Saul foi para Gilgal e esperou os sete dias, mas Samuel demorou. Saul olhou para seu formidável inimigo e observou seus próprios soldados, atemorizados pelo adversário, abandonando suas posições e seus deveres. Em desespero, Saul ofereceu sacrifício para invocar o auxílio de Deus. Samuel chegou imediatamente depois do sacrifício feito por Saul, sem ter autoridade para isso, e reprovou a presunçosa ação do rei. Saul explicou seu terrível apuro e sua necessidade do auxílio de Deus contra o inimigo avassalador. Ele concluiu sua defesa com uma lembrança da situação: “e forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaustos”(1 Samuel 13:12).

 

Muitas pessoas dão a mesma justificativa para o pecado hoje em dia. Alguns sugerem que, às vezes, somos forçados a escolher o menor de dois males. Outros dizem que o pecado é simplesmente inevitável em algumas situações. Argumentos deste tipo surgem em diversos contextos. Alguns justificam seus atos imorais, dizendo que a pressão é tão grande que ninguém resiste, e assim imaginando que Deus seja obrigado a aceitar estes erros e ignorar seus pecados. Outros assumem papeis que Deus não lhes deu – no lar, na igreja, etc. – e justificam sua presunção dizendo que foram “forçados pelas circunstâncias”. Mas será que é isto o que Deus pensa?

 

Não foi o que Deus pensou quando Saul agiu sem sua permissão. Samuel reprovou o ato de Saul e disse que Deus tiraria o reino de sua família por causa deste erro (1 Samuel 13:13-15). Além de tudo, o ato de Saul não resolveu a sua necessidade de ajuda divina. Em um sentido, Saul buscou a Deus, mas de uma maneira totalmente errada. Como consequência, este rei ficou com um exército bem reduzido diante de um inimigo forte. Tinha apenas 600 soldados contra a multidão dos filisteus (compare 1 Samuel 13:5 com 13:15). Saul disse que foi “forçado pelas circunstâncias” a agir sem a autorização divina, mas seu argumento não convenceu a Deus.

 

3.000 anos depois, este argumento ainda não funciona! Muitos ainda tentam justificar seus atos errados dizendo que não têm opção, ou que são forçados pelas circunstâncias. Paulo garante que nós podemos confiar em Deus, porque ele proverá uma via de escape de cada tentação: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1 Coríntios 10:12-13). Este trecho nega as nossas desculpas e nos obriga a encarar a realidade da nossa responsabilidade diante de Deus. Nunca somos forçados pelas circunstâncias a pecarmos. Nunca é certo proceder erradamente, não importa qual seja a situação.

 

Vivemos em uma época da História na qual muitos preferem falar de desculpas e não de deveres, e querem jogar suas responsabilidades para os outros ao invés de prestar contas por suas próprias decisões. Pode ser que tais desculpas sejam aceitas pela consciência já cauterizada e anestesiada de alguns, mas o nosso Criador nos fez, dentre outras coisas para reconhecermos as nossas responsabilidades. Ele está disposto a nos ajudar a corrigir os erros e receber perdão, mas não nos dá o direito de fugir das consequências ou mesmo tentar justificar o pecado que praticamos. Somente quando descartamos nossas desculpas e enfrentamos nossos pecados podemos ser reconciliados com Deus (Tiago 4:7-10).

 

 

 

 

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