Filhos pródigos que nunca partiram

29/10/2013 01:35

 

 

"Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus".

(João 3:3)

 

Gostamos muito de finais felizes! Talvez seja por isso que a parábola do filho pródigo apela tanto à nossa mais profunda emoção. O filho mais novo seguiu um caminho destrutivo, mas "caiu em si" (Lucas 15:17). Seu arrependimento e sua confissão humilde ao seu pai são intensamente comoventes. A compaixão do pai e a sua disposição para perdoar o filho pródigo não é menos emocionante; evoca fortes emoções em todos nós que percebemos nossa própria necessidade pela divina graça.

 

A parábola do filho pródigo é a última de três parábolas que Jesus contou em Lucas 15 sobre coisas ou pessoas perdidas. O pastor regozija-se quando encontra sua ovelha perdida (15:4-7), a mulher regozija-se quando ela encontra sua moeda perdida (15:8-10) e o pai regozija-se quando seu filho perdido volta para casa. Para ter certeza, há uma progressão nas parábolas, mas regozijar ao “achar” algo é o tema que liga estas três lições.

 

Aprendemos desde o começo do capítulo que os coletores de impostos e pecadores estavam ansiosos em ouvir o que Jesus tinha a dizer. Os fariseus e escribas, no entanto, ficaram escandalizados com o contato de Jesus com tais pessoas (15:2) e reclamaram. As parábolas de Lucas 15 foram faladas a estes elitistas religiosos e em resposta à sua atitude pecaminosa com os outros.

 

Não quero parecer presunçoso, mas pode ser que teologicamente tenhamos colocado o nome errado nesta parábola. Enfatizamos as circunstâncias do pródigo na parábola e com certeza é verdade que lições importantes sobre o pecado, arrependimento e perdão podem ser vistas com detalhes na história em volta das suas ações. No entanto, também fica claro que o filho mais velho na parábola representa os fariseus e escribas aos quais Jesus estava contando a história. Jesus queria que vissem o contraste entre as atitudes do pai e do filho mais velho.

 

Apesar de o pai ficar cheio de alegria em receber seu filho arrependido de volta, o filho mais velho ficou com ciúmes e se mostrou arrogante. Ele vangloriou-se da sua obediência (ele disse que jamais transgrediu uma ordem do pai – 15:29) e estava com ciúmes da atenção e bênçãos que o filho mais novo estava recebendo ("... e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me como os meus amigos; ... porém … tu mandaste matar para ele o novilho cevado" – 15:29-30). Ele se recusou a entrar na casa onde o regozijo pela volta do seu irmão pródigo estava acontecendo.

 

O filho mais velho pode nunca ter saído de casa, mas sua atitude era pecaminosa. Ele não conseguiu se regozijar com a volta do seu irmão. A resposta do seu pai carrega uma repreensão implícita – sua falta de compaixão ou preocupação com o perdido e seus ciúmes eram condenáveis (vs. 32). É bastante fácil enxergar a falha do filho pródigo; afinal, ele saiu de casa! O filho mais velho, no entanto, é uma lembrança de que as pessoas podem esconder atrás da aparência externa de fidelidade e, no entanto, estarem "perdidas" para o Pai ao mesmo tempo.

 

Obviamente a trajetória do filho pródigo não é um modelo a ser seguido, porém infinitamente pior é o destino daqueles que se conformam e se deformam na mera religiosidade!

 

Estar na igreja não é o mais importante. Ser a Igreja é o que de fato conta. Muitos de nós nascemos e crescemos dentro de uma igreja cristã sem nunca termos vivido uma experiência real de conversão. A tradição e o status da fé nos bastam, mas a transformação do coração é o que verdadeiramente nos insere no Reino de Deus. É por isso que muitos últimos serão primeiros, pois como uma pedra dentro do rio é seca por dentro ainda que acercada por água, assim muitos cristãos são filhos pródigos mesmo tendo permanecido na casa do Pai. Estão vazios de Cristo, ainda que inundados de aparência cristã.

 

 


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