Igreja. Família ou Empresa?

14/11/2014 02:42

 

 

“Escrevo-te estas coisas…para que, se eu tardar, fiques ciente

de como se deve proceder na Casa de Deus,

que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.”

 (I Timóteo 3:15-16)

 

 

Nestes últimos anos Deus tem despertado meu coração para o fato de que a melhor maneira de descrever a igreja é como FAMÍLIA.  Claro que existem outras metáforas ou alusões interessantes e bíblicas: A igreja é caracterizada como um prédio (I Co 3.10-17; Ef 2.19-21)), um corpo (I Co 12), um campo (I Co 3.6-9), um aprisco (Jo 10) e um exército (II Tm 2), entre outras imagens.  Cada figura traz implicações importantes para a vida da igreja. 

  

Mas a imagem da igreja que sobressai no NT é de família.  I Tm 3.15,16 identifica a igreja como sendo a “casa de Deus”.  Nesta casa, Deus é nosso Pai (Ef 3.14,15).  Nós somos a Noiva de Cristo (Ef 5.22-33).  Somos irmãos em Cristo.  Tratamos uns aos outros como membros da mesma família: “Não repreendas ao homem idoso, antes exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, com toda a pureza.” (I Tm 5.1,2). 

 

Hoje, existem muitos “modelos” de igreja e “pacotes” ministeriais, a maioria importada da outra América.  Alguns desses “programas” incluem ideias interessantes e até úteis.  Mas quando aplicados indiscriminadamente, quando tratados como a “inovação” ou como o “novo modelo” da igreja, quando implementados como se a igreja fosse uma empresa, quando são promovidos através de técnicas mundanas de “marketing”, temos um grande problema.  Perdemos a beleza do modelo familiar da igreja.  A igreja não é um “negócio”; a igreja é uma família. 

 

Não se faz marketing da família.  Não anuncio aos meus vizinhos, “Venha para minha família, porque é melhor que a sua!” Igualmente absurda e inaceitável é a disputa por supremacia religiosa entre as denominações que se assumem cristãs - somos uma família e não concorrentes.

 

Não é por acaso que Deus usa a família como o principal campo de treinamento para a liderança da igreja.  O líder espiritual da igreja deve ser alguém que governe bem a sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo respeito, pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da Igreja de Deus?” (I Timóteo 3.4,5).

 

Infelizmente, algumas pessoas nunca tiveram a experiência de participar de uma igreja-família: um lugar onde as pessoas são acolhidas, conhecidas, amadas, instruídas, confrontadas, disciplinadas, cuidadas e perdoadas. Assim como não existem famílias perfeitas, também não existem igrejas sem falhas, mas ainda assim não há nada que supere essa experiência.

 

Quando, porém, o “marketing” rege a igreja, quando pacotes e “fórmulas de sucesso” para crescimento de igrejas ditam nossos “programas”, pessoas tendem a ser “descartáveis”.  Disciplina quase não existe.  Ensino sério e treinamento para as reais necessidades da vida viram mensagens voltadas para autoajuda e “necessidades sentidas”.  O povo se torna espiritualmente raquítico, pobre, cego e surdo para com o conhecimento da Palavra. Em nossos dias, os chamados modelos celulares nas igrejas seguem flagrantemente as mesmas fórmulas dos mercados de rede do mundo, o que gera uma densidade no acúmulo humano, mas que não se reflete em qualidade na vida espiritual. Tal como nas empresas, o lucro pode ser visível, mas na dimensão espiritual representa a maior miséria que a igreja já conheceu em sua história.

 

Será que eu e você tratamos a igreja local onde nos congregamos como nossa família?  Sentimos saudades quando precisamos nos ausentar das suas reuniões por um período?  Será que amamos nossos irmãos de fato?  Apoiamos os ministérios da igreja como se fossem atividades familiares?  Acolhemos pessoas novas como receberíamos visitas em casa?  Praticamos disciplina bíblica com seriedade e amor, como disciplinamos nossos filhos?  Fazemos sacrifícios em nome do amor pelos irmãos necessitados da família da fé (Gl 6.10), assim como faríamos para nossos próprios familiares? 

 

Será também que acolhemos nossos irmãos de outras igrejas com o mesmo reconhecimento de que a distância física não interfere no parentesco? Ou será que ainda nos mantemos nas cavernas imbecis do sectarismo que induz igrejas a discriminarem outras igrejas?

 

Quando aprendemos a ver a igreja como uma família, deixamos de lado o grosseiro e diabólico pecado que nos induz a achar que somos melhores que os outros. Quando aprendemos a enxergar a igreja como uma família, aprendemos também que todos somos irmãos, por mais que tenhamos aspectos pontuais de discordância doutrinária.

 

Que Deus nos dê um número cada vez maior de igrejas que se manifestam como famílias e que desapareçam em nome de Jesus todas as novidades, visões e pretensas revelações que transformam pastores em gerentes, púlpitos em balcões e igrejas em empresas.

 

 


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