Muito além das emoções

28/11/2013 01:51

 

 

“Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos”

(II Coríntios 5:7)

 

Como está sua vida com Deus? Como está a sua fé? Como está a sua situação espiritual? Geralmente nós recorremos aos nossos sentimentos para tentar responder a essas perguntas. Se estamos alegres, significa que a vida espiritual está boa. Se estamos tristes, então achamos que a fé está fraca. Todavia, isso não é verdade. Na maioria das vezes confundimos a situação da alma com a situação de nosso espírito.

 

 

Podemos estar profundamente tristes ou mesmo angustiados com alguma situação que nos cerca e ainda assim manter uma fé vigorosa. Jesus chorou junto ao túmulo de Lázaro e depois o ressuscitou. Esteve profundamente angustiado até a morte no Getsêmani e depois fez o milagre de reconstruir a orelha de Malco, cortada por Pedro. Diferentemente, nós em geral confundimos entusiasmo com fé. Se estamos empolgados então é porque estamos acreditando de fato. Basta aquela emoção passar e nós já não temos certeza se cremos ou não cremos.

 

 

Andar com Deus vai muito além das oscilações dos nossos sentimentos. As pessoas nos frustram ou nos alegram, as situações nos incomodam ou nos dão uma sensação de prazer. Todavia, a minha vida com Deus não é determinada, nem medida por essas coisas. Ela é medida pelo que eu creio a respeito de Deus e pelo que me diz a Sua Palavra. Posso estar chorando amargurado e confiando plenamente no amor e na misericórdia de Deus por mim. Posso estar rindo e regozijando, mas estar indiferente à vontade divina para mim. Claro que os sentimentos tem sempre algum efeito sobre nós, todavia temos que aprender a discernir nossa verdadeira situação espiritual nesse emaranhado de emoções.

 

 

Muitas pessoas confundem o humano com o divino. Eu aprendi na Palavra que a Igreja é o Corpo de Cristo ao qual pertenço. De repente, a ofensa de algum irmão é entendida como ofensa da Igreja e leva a muitos a perder a sua comunhão com o Pai. Porque sinto o coração magoado e machucado, acho que não posso mais colocar-me diante de Deus. A mudança de meus sentimentos não muda o que Deus é, nem o que Ele fez e ainda pode fazer por mim. Eu posso chorar e crer, estar em profunda aflição de espírito e ainda assim afirmar com meus lábios que tudo o que Deus diz é verdade. Posso levar a preciosa semente andando e chorando.

 

 

Na epístola aos Hebreus lemos que a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do que qualquer espada de dois fios. Penetra até a divisão da alma e do Espírito, das juntas e medulas, sendo apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração (Hebreus 4.12). Não precisamos suprimir os nossos sentimentos, nem ignorar as nossas emoções para caminhar bem com Deus. Podemos ser profetas chorões como Jeremias ou melancólicos como Moisés. Em algum momento de nossas vidas podemos chegar até a ponto de sentar-se sob uma árvore como fez Elias e achar que não há mais motivos para continuar. Todavia, nosso espírito continuará guardando a inquebrantável certeza de que Deus é fiel e cumprirá em minha vida tudo o que disse em sua Palavra. Isso é separar a alma do Espírito. A sua angústia vai passar. A vida de Deus é eterna.

 

Aprendi uma grande lição com Ezequiel. Suas experiências espirituais foram muito fortes. Ele era um profeta independente das circunstâncias. Ele tinha uma missão, um ministério a cumprir e independente de como se sentisse, era no poder e na unção do Espírito que ele haveria de realizá-lo. (Ezequiel 3.14)

 

 

O Deus de Ezequiel é o mesmo que ainda atua e reina na História. Seu poder e misericórdia permanecem iguais e disponíveis para todos quantos saibam discernir o valor da fé vitoriosa, ainda que sob as sombras de circunstâncias adversas. Portanto, enxugue as lágrimas ou meça o riso, sabendo que o propósito de Deus em sua vida se cumprirá na ausência ou presença de suas emoções.

 

 

 

 


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