O fermento e a farinha. Discernindo crescimento de inchaço.

06/12/2014 02:30

 

 

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina;

mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si

doutores conforme as suas próprias concupiscências."

(II Timóteo 4:3)

 

 

Jesus foi um homem judeu que viveu nesta terra de acordo com o ambiente de sua época. Costumava conversar com todos e cultivava bons relacionamentos. Uma das atitudes que Jesus mais gostava de fazer era usar exemplos da vida cotidiana para ensinar grandes verdades espirituais. A isto denominamos parábola.

 

Há uma parábola extremamente curta, mas que traz em sua lição hermenêutica uma grande realidade que se aplica á igreja – trata-se da parábola do fermento e da farinha. Vejamos: “…O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher pega e mistura em três medidas de farinhas, até que tudo seja fermentado (Mateus 13:33). A princípio, temos a impressão que Jesus está exaltando o crescimento do Evangelho e da igreja, mas é exatamente o contrário. A farinha, na Bíblia, indica pureza. Quando Abraão recebeu a visita de três anjos, ele mandou Sara lhes preparar três medidas de flor de farinha (Gêneses 18:6). Era uma farinha refinada.

 

Ao contrário disto, o fermento tem um sentido negativo em toda a Bíblia. Os hebreus tinham que comer, na páscoa, pão sem fermento. Os chamados pães asmos. Jesus comparou a doutrina herética dos fariseus ao fermento. O apóstolo Paulo declara: “Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado.” (I Coríntios 5:7). O fermento representa a proliferação do pecado, e a farinha representa a pureza.

 

Ao falar através desta parábola que uma mulher misturou o fermento com a farinha, Jesus estava querendo dizer que haverá uma mistura do santo com o profano, do fiel com o infiel, da igreja com o mundo. Quando falo mundo não me refiro à cultura, mas sim aos conceitos malignos do presente século e suas influências nas mais diversas áreas do comportamento humano. Para ver esta parábola profética se cumprindo, basta observarmos os absurdos que adquiriram status de normalidade em muitos ambientes cristãos. Os conceitos de sucesso financeiro da Programação Neurolingüística ocupam os nossos púlpitos e as verdades bíblicas são mescladas em suas premissas de prosperidade humana. Algumas igrejas só enfatizam o que as pessoas ganharam financeiramente quando vieram para o Evangelho. A Teologia da Prosperidade, originada nos E.U.A. com Essek William Kenyon e com Keneth E Hagin, se espalha pelo Brasil através de movimentos heréticos como o G12 e torna a cada dia a igreja de Cristo mais gananciosa e cega.

 

Milhares de campanhas são criadas com o objetivo de fazer as pessoas darem o pouco dinheiro que têm, com a promessa de que Deus lhes dará o dobro, ou triplo. Deus é colocado na posição de criado e como alguém que tem a obrigação de dar aquilo que os filhos mimados determinam. Alguns citam o que Paulo disse: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” (Filipenses 4:13). Usam este texto para falarem que Paulo podia ganhar muito dinheiro, ter muito sucesso, ser melhor do que os ímpios, etc. Uma grande ignorância ou senão uma hedionda ofensa ao evangelho!

 

Basta uma breve observação no versículo 12 da mesma passagem e percebemos que ele estava passando por necessidades e até fome. Quando escreveu esta carta, Paulo estava na cadeia. Essa não é a condição ideal para um pregador da prosperidade, nos moldes dos chamados ministérios apostólicos atuais.

Os pregadores do Evangelho Financeiro estão colocando fermento na farinha. De fato, o resultado é um aparente crescimento, mas na realidade é um inchaço vazio.


As igrejas estão na mídia, no rádio e na TV. Muitos cantores gospel já até promovem o seu “evangelismo lucrativo”, assinando contratos milionários com a maior emissora do país, que é uma histórica inimiga do evangelho, defensora de ocultismos e feitiçarias, além de aliada confessa do sindicalismo gay. À primeira vista tudo isso soa como triunfo, mas na verdade estamos passando por um falso crescimento, um crescimento onde o Evangelho é misturado com conceitos diabólicos.

 

Ninguém mais se surpreende com o elevado número de artistas seculares que subitamente aparecem se declarando convertidos e com menos de um mês de Evangelho já estão dando testemunhos em eventos bilhetados (pagos) e vendendo CD´s. Artistas que estão esquecidos e fracassados para o mundo, acham nas igrejas um ótimo meio para obtenção de lucro pessoal e manutenção da idolatria que lhes afaga o ego. Não é de se admirar que muitos dentre estes têm trazido escândalos para o Evangelho, corroendo a credibilidade da igreja e dificultando o trabalho missionário daqueles que de forma sincera tentam ganhar almas para Cristo. E não sendo tudo isso suficiente, até mesmo muitos evangélicos de renome, incluindo os cantores e pregadores famosos, cobram quantias altíssimas em dinheiro para fazer a obra de Deus. Em épocas de eleições, como vimos recentemente, muitas igrejas se enchem de candidatos interessados em votos, os quais são comercializados e encabrestados em troca de benefícios mútuos.

 

O quadro é muito maior e outros exemplos não caberiam aqui. Infelizmente, tudo isto é inevitável, visto que Jesus profetizou através da parábola supracitada que esta mistura aconteceria. Não nos esqueçamos de que vivemos a geração Laodicéia, que a igreja dos últimos tempos é rica, bonita, pomposa, de nada tem falta, mas o seu diagnóstico divino é: Tu és pobre, cego, desgraçado, miserável e nu.

 

Todos aqueles que mudam a verdade de Deus sofrerão dura condenação e mais ainda aqueles que conheceram a verdade do Senhor e preferiram pervertê-la. Isso vale para os que “vendem” uma igreja inchada como se fosse uma igreja que cresce!

 

 

 


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