O pecado na Igreja. Abordagem, combate e cura.

28/01/2015 02:11

 

“No combate contra o pecado, ainda não haveis resistido

a ponto de derramar sangue. “

(Hebreus 12:4)

 

A igreja do Senhor é composta de pessoas chamadas para deixar o pecado e sair definitivamente do império das trevas (Colossenses 1:13). O desejo de todo discípulo deve ser de manter a santificação – a separação da iniquidade – para imitar e honrar o Mestre que o resgatou. As pessoas que fazem parte da igreja de Deus foram chamadas “para ser santos” (I Coríntios 1:2). O Senhor que nos chamou disse: “Sede santos, porque eu sou santo” (I Pedro 1:16).

 

Embora a santificação e perfeição sejam nossos alvos, ainda erramos. Deus faz tudo para nos ajudar nas batalhas contra a tentação (Romanos 8:31-39) e sempre oferece uma saída das ciladas do Adversário (I Coríntios 10:13). Mesmo assim, falhamos. O apóstolo João escreveu : “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (I João 1:8).

 

Sabemos que não somos perfeitos. Eu faço coisas que não devo e deixo de fazer coisas que devo. Sei que os meus irmãos, também, erram. Reconhecendo esses fatos tristes, entendemos que há pecado na igreja.

 

Ao invés, porém, de nos conformar à realidade lamentável de pecado na igreja, devemos buscar e seguir as instruções bíblicas para purificá-la. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). Uma igreja que respeita a vontade de Deus não pode se entregar à impureza. Deve agir agressivamente para ser pura e livre do pecado. Como? O que os fiéis devem fazer?

 

A Santidade Começa Comigo

 

Um rebanho não está totalmente limpo se tiver uma ovelha suja. Se eu tiver pecado na minha vida, a igreja da qual faço parte será manchada. O primeiro passo no caminho à pureza da igreja é corrigir os pecados nas nossas próprias vidas. É muito mais fácil criticar os outros do que limpar a nossa própria casa. Quantas vezes ficamos olhando pela janela para ver as falhas dos outros quando precisamos olhar no espelho e enxergar os nossos erros? Jesus perguntou: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? .... Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mateus 7:3-5).

 

Devemos levar a santificação a sério, começando com os nossos próprios corações, e com as atitudes e o procedimento do nosso dia-a-dia. Cobrar a pureza dos outros enquanto vivemos deliberadamente no pecado é seguir a hipocrisia dos fariseus (Mateus 23:3-4,25-28), e não a santidade de Jesus Cristo (I Coríntios 11:1).

 

As Atitudes Necessárias Para Corrigir os Irmãos que Pecam

 

Antes de falar sobre o que fazer, é importante também considerar as atitudes certas em fazer esse trabalho. As seguintes passagens devem ser consideradas por qualquer pessoa que se envolve na obra de resgate de irmãos perdidos. Observemos alguns princípios essenciais:

 

● Devemos procurar o pecador e perdoar o irmão arrependido (Lucas 15:1-32). Esta parábola bem conhecida repreende a autojustiça do irmão mais velho, que não desejava e não agia para incentivar a reconciliação do irmão desviado com seu pai. Quantos “cristãos” de hoje mostram a mesma falta de amor?

● Cada membro do corpo tem sua função para a edificação dos outros (Efésios 4:16). O trabalho de correção dos irmãos que pecam não se limita aos pastores. Cada parte deve se cooperar na edificação mútua para o bem do organismo todo.

● Os irmãos mais fortes devem restabelecer “as mãos descaídas e os joelhos trôpegos” (Hebreus 12:12-17). Ajudemos os fracos e desanimados para que não caiam nas mãos do Inimigo.

● Uma igreja não deve ignorar nem tolerar o pecado (Apocalipse 2:12-17). A principal queixa de Jesus contra a igreja de Pérgamo foi a sua tolerância. Talvez exagerassem no ensinamento de não julgar (pervertendo o sentido de Mateus 7:1-5) a ponto de ignorar a necessidade de discernir entre o bom e o mau (I Tessalonicenses 5:21-22; Provérbios 24:23-25). É triste ver muitas igrejas hoje cheias de pecado por falta de amor – amor de Deus e amor ao próximo. As instruções de Deus a Ezequiel mostram a importância da correção dos pecadores (Ezequiel 3:16-21).

 

A Correção do Irmão que Cai no Pecado

 

Quando sabemos de pecado na vida de um irmão, devemos agir. Os espirituais devem corrigi-lo com brandura (Gálatas 6:1). Também sofremos com as fraquezas humanas, e devemos ser compreensivos na abordagem do pecador. Mas a nossa compreensão não justifica o pecado, e não deve se tornar tolerância ou aprovação. Ajamos com brandura, mas corrijamos!

 

● A conversão do irmão de seu pecado é a salvação de sua alma (Tiago 5:19-20; Provérbios 24:11). Igrejas que ensinam a impossibilidade do crente perder a salvação (uma equivocada e absurda doutrina fundamental do calvinismo) negam o ensinamento bíblico e oferecem uma falsa segurança às pessoas que caem. Tiago disse que o resgate do irmão que peca é uma conversão que salva a sua alma!

● Há casos em que a correção pública é necessária (I Timóteo 5:20; Gálatas 2:11-14). Alguns pecados públicos, se não corrigidos diante das outras pessoas, poderão levar outros ao mesmo erro. É desagradável, mas necessário, responder publicamente aos erros de alguns irmãos.

● Em questões de ofensas pessoais, Jesus deu instruções específicas sobre como agir. Quando um irmão peca contra outro, devemos fazer o que Jesus mandou (Mateus 18:15-17): 1. Falar em particular com a pessoa que nos ofendeu. 2. Se ela não aceitar a correção, devemos tentar de novo, levando uma ou duas testemunhas. 3. Se ela ainda não se arrepender, devemos levar o caso à igreja, que também deve repreender o ofensor. Se a pessoa for rebelde até esta última etapa, devemos nos afastar dela. Por outro lado, se o ofensor se arrepender, em qualquer momento, devemos perdoar e nos reconciliar, certos de que Deus, também, perdoa o arrependido.

 

Estas instruções de Jesus proíbem a prática comum de espalhar notícias dos erros particulares dos outros, sem primeiro falar com eles para ajudá-los (Provérbios 20:19; 26:20-22).

 

A Expulsão do Irmão Que Anda Desordenadamente

 

O ensinamento de Paulo reforça as instruções de Jesus. Quando um irmão volta ao pecado e recusa se arrepender, os discípulos não devem se associar com o ele (I Coríntios 5:1-13). A linguagem de Paulo – especialmente seu uso da palavra “expulsar” – é tão forte que muitos procuram palavras mais suaves para diminuir o impacto deste ensinamento. Observamos neste capítulo vários pontos importantes:

 

● O problema: Tolerância do pecado (e do pecador) na congregação (5:1-2).

● A ação exigida: Entregá-lo a Satanás (5:5). O pecador queria ficar com um pé no reino de Cristo e outro no império das trevas. Paulo mandou colocar os dois pés no reino do diabo, para que o irmão aprendesse a futilidade da vida no pecado.

● Os propósitos: 1. A salvação do pecador (5:5); 2. A pureza da igreja (5:6-8); 3. A obediência a Deus numa igreja pura e fiel (5:4,8).

● A aplicação prática: Evitar o envolvimento social com o pecador: “...não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro...; com esse tal, nem ainda comais” (5:11). Em palavras ainda mais fortes, Paulo diz: “Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (5:13).

 

Paulo reitera o mesmo princípio nas instruções dadas aos tessalonicenses. Devemos nos apartar de todo irmão que ande desordenadamente (II Tessalonicenses 3:6,14-15). Observemos o significado deste trecho:

 

● Todo irmão que ande desordenadamente: Qualquer um, mesmo que seja familiar ou parente de irmãos respeitados, que se mostra insubmisso à Palavra de Deus.

● Devemos apartar/notar/não associar: Se mantermos a mesma relação de antes, a pessoa não se envergonhará do seu erro, e outros podem ser induzidos ao pecado.

● Advertir como irmão, não tratar como inimigo: Tudo que fazemos para corrigir o pecador e manter a pureza da igreja deve ser motivado pelo amor, não pelo ódio ou desprezo das pessoas que caem. Quando tivermos contato com um irmão que foi expulso, devemos aproveitar para advertir e encorajá-lo a voltar para Deus.

 

Em outra carta, Paulo ensinou que os fiéis devem notar e se afastar daqueles que provocam divisões contra a doutrina de Cristo (Romanos 16:17). Mais uma vez, temos de tomar uma postura firme contra o pecado. E nesse caso está em questão também o combate a toda forma de heresias que são disseminadas na Igreja. Ao contrário do que muitos pensam, não é com silêncio, mas com pulso forte e censura pública que devemos lidar com esse tipo de problema.

 

O Perdão do Arrependido

 

Se o pecador se arrepender e voltar, os outros irmãos devem perdoar e aceitá-lo (II Coríntios 2:3-11). Igrejas que praticam a expulsão sem a possibilidade de reconciliação (no caso de determinados pecados como adultério, por exemplo) erram por não mostrar o espírito de Deus, que “é rico em perdoar” (Isaías 55:7). O irmão arrependido deve ser perdoado e aceito e abraçado, não tratado como um cidadão de segunda classe. Uma vez que ele abandonou o império das trevas, precisará do apoio dos fiéis para se firmar novamente no reino de Cristo. E é bom que se diga: todo aquele que tratar o referido irmão com desconfiança ou indiferença por conta do seu passado, torna-se inimigo da cruz de Cisto, na qual há remissão e perdão para todo sincero pecador arrependido.

 

Tenhamos o amor e a coragem para confrontar o pecado – na nossa vida e na igreja - da maneira que Deus quer. A apostasia certamente virá. A transgressão seguramente se agigantará. Mas que não seja por nossa culpa ou omissão.

 

 


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