OS DOIS MUNDOS

16/02/2012 11:08

"Eu sou a luz do mundo"... "E a luz resplandece na escuridão, mas a escuridão não lhe compreendeu". (João 8:12 e 1:5)

 

Eu sempre fui fortemente movido por essa percepção: Deus considera urgente a distinção entre a luz e as trevas. Uma de suas primeiras atitudes, no ato da criação de todas as coisas, foi justamente essa..."Deus fez separação entre a luz e as trevas" (Gênesis 1:4). Assim nasceram dia e noite e suas respectivas características, o que as torna facilmente perceptíveis e distinguíveis também.

Quando penso em escuridão, isso me reporta a sentimentos profundamente negativos. E quando me concentro na idéia da luz, todas as alusões são agradáveis.

Mas como a escuridão se instala no coração humano, tornando-o uma densa noite ambulante?

Penso que a lâmpada das almas é o seu caráter, sua índole, sua natureza, sua estrutura mais íntima de personalidade. As inclinações para o mal, as ambições, o egoísmo e todo o conjunto de vícios que acarretam no obscurecimento da consciência, são a forma resumida de diagnosticar a cidadania das trevas.

A mensagem sintética de Jesus foi de que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Isso parece absolutamente razoável e digno de credibilidade, porém é fato que a grande maioria do gênero humano de todas as épocas sempre optou pelo caminho inverso. E qual seria a explicação para isso?

Há no imaginário coletivo uma preconcepção de que o proibido seja mais prazeroso que o lícito. O forte sempre foi sedudizo por sua condição e a dela obter proveito. O erro chega a ser até mesmo associado á coragem, a corrupção é tida por inteligência e a irreverência para muitos é concebida como modelo de comportamento. Mas essas são as principais rotas para o anoitecimento da alma.

As trevas são profundamente sedutoras pelo fato de fazerem promessas mais degustáveis que às da luz. O prazer, o poder, a vantagem, o favorecimento, a supremacia e o envaidecimento são aspectos intrinsecamente ligados aos mais básicos instintos da imperfeição humana e poucos são os que se propõem a desviar-se dos tais.

Tenho lido, por exemplo na web, textos que estimulam o relacionamento com "A pessoa errada", dando um claro incentivo à degradação pessoal, à traição e ao experientalismo aventureiro. Canções populares falam que "deveríamos ter errado mais". Anúncios publicitários estimulam a ambição financeira e o mercado de trabalho é palco de guerra para milhões de pessoas que encaram o próximo como uma concorrrência a ser no mímino suplantada ou até mesmo aniquilada. A mídia, faz um trabalho fabuloso nessa direção. Suas programações, sobretudo as telenovelas, disseminam valores distorcidos, visões opostas a tudo que seja lúcido e ético, dando assim uma forte contribuição ao abalo das estruturas familiares que, em suma, sustentam uma sociedade como o todo. Isso são trevas, agindo por meio de seus funcionários.

No campo da religiosidade não é diferente. Temos um triste retrocesso em dias atuais, onde o sentimento iluminista parece ter absorvido fortes doses de narcisismo, sedimentando uma visão de fé que prioriza, privilegia e sacraliza o próprio homem, em detrimento de Deus.

Nesse sentido, convém salientar que a associação a uma igreja não nos remove automaticamente das trevas. Uma peda jogada no fundo dos oceanos estará rodeada por muitas águas, mas o seu interior permanecerá seco. Assim ocorre com muitas pessoas, que vivem cercadas e afogadas por tradições e práticas religiosas, estando, porém, secas de Deus e Sua Palavra. Isso também é viver em trevas.

O texto de João que embasa essa mensagem diz que a luz resplandece sobre as trevas, mas elas não a  compreendem.

O verdadeiro Evangelho é sempre incompreendido e rejeitado. O Cristo da manjedoura, que abdicou dos prazeres terrenos, que expulsou os canalhas vendilhões do templo, que afrontou o corrupto poder vigente, que em vez de palácios nem tinha onde reclinar a cabeça, que em vez de desfilar em belas carruagens preferia montar uma jumentinha e que trocou os aplausos pela vergonha da cruz - já não é aceito por aqueles que hoje apregoam uma caricatura mercadológica e um ícone de suas próprias ambições e alucinações religiosas.

Jesus é a luz do mundo e todo aquele que caminha fora de suas diretrizes está em trevas. Não importa seu grau intelectualidade com todos os seus acúmulos acadêmicos. Não importa seu nível de poder temporal e financeiro, que nada podem e  nada compram acerca da realidade celestial. Não importa o nível de aprofundamente da experiência religiosa em si, com seus delírios, "revelações", "visões" e toda sorte de novidade teológica. E não importa qualquer outra argumentação que se contraponha a essa verdade. O Evangelho é simples e fora disso não há luz.

 

"O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüídas as suas obras".

João 3:19-20

 


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