Quantos caminhos levam a Deus?

25/11/2014 02:10

 

 

“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu 

não existe nenhum outro nome,

dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

(Atos 4:12)

 

Manter-se concentrado em um objetivo parece impossível a esta geração. Não faltam distrações para desviar a atenção ou até mesmo esquecer aonde se pretende chegar. Penso que uma das razões para esta falta de foco seja o mundo relativizado. Este tende a confundir os sentimentos, perverter a vontade e a fragilizar a fé. A fé relativizada é nula, pois quem acredita em todos os deuses não conhece a Deus. É certo que nem todos os caminhos levam a Ele, pois é Único, Verdadeiro e Exclusivista.

 

Deus se revelou em Jesus, o qual se definiu como O Caminho, a via única de acesso ao Pai. Durante seu ministério apresentou a necessidade de seus seguidores de não perdê-lo de vista. Em suas prédicas sempre se colocava como ponto de referência para a vida, o modelo de humanidade restaurada e plena da intenção divina. A exigência para experimentar tal restauração seria segui-lo com o coração e a mente, na plenitude do ser.

 

“Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (João 15:5);

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8:12);

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (Lucas. 9:23);

“Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará” (João 12:26).

 

Em certo momento no Caminho Pedro fez uma pergunta retórica, daquelas que vem acompanhada de resposta imediata e óbvia: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68).

O pedregulho estava assentado sob a Pedra, na segurança que somente a presença de Jesus garantia.

 

Paulo foi outro que estava fitado na Pessoa certa. Após o seu encontro com a Luz, ele se entregou à missão e manteve seu olhar fito no alvo. O sentido de suas ações estava na imitação de seu Mestre, portanto, Ele buscava a perfeição (Filipenses 3:12-14). E não poderia ser diferente.

 

Jesus chama para si toda a atenção e se firma como a razão para viver, o meio de reencaminhamento ao Criador. Mesmo evidenciando a renúncia a Ele como pré-requisito para o discipulado, o homem continua a resistir Sua orientação e cria para si atrações ou distrações que sutilmente fazem perder o alvo.

 

Uma delas, talvez a mais perigosa, seria a instituição igreja, aquela estrutura econômica e física com normas criadas para manter o domínio de alguns sobre muitos em nome de ideologias pessoais revestidas de espiritualidade. Pelo zelo da tradição, por meio de ameaças de desgraça para aqueles que removem os marcos ou as cercas postas pelos antepassados, ela cria um ambiente de devoção motivada pelo medo, o pavor de ser constrangido publicamente ou destituído de uma hierarquia que nutre prestígio religioso. Mas isso não significa que devemos condenar a existência das igrejas e abandonar esse modelo de fé coletiva. Como pastor eu defendo e trabalho pela Comunidade Igreja, que é o conjunto dos santos que entenderam a simplicidade do Evangelho, que norteia suas vidas pela sã doutrina vinculada e arraigada na Bíblia sagrada, que decidiram livremente entregar suas vidas ao Mestre Jesus e viverem sob a prática do amor. Sem essa visão acertada da igreja, na essência ela corre o risco de se tornar uma instituição que afasta as pessoas de Deus porque as alienam da liberdade conquistada na cruz. Mas apesar de tanta dissimulação religiosa uma coisa é certa: “... as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja do Senhor”. A Igreja do Senhor é invencível, diferente da gigante de pés de barro, aquela propriedade de homens, construída sob as bases da obsessão pela glória terrena. O desafio para alguém que quer manter-se em Jesus é sobreviver com sã consciência em meio a este contexto confuso e batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.

 

Outro grande cisco no olho de quem quer ver Jesus é o materialismo com todas as suas vãs filosofias. Dentre elas a obsessão em acumular bens e desfrutar do paraíso na terra. O reino material é palpável, mais acessível e relativamente fácil de usufruir. O Reino dos Céus não é comida, nem bebida, nem mansões ou carros, grifes ou conforto, mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo. Um visível, outro invisível, estabelecidos paralelamente, nós decidimos qual iremos priorizar. O que se tem visto? O domínio do primeiro sobre o segundo. O investimento ambicioso no mercado de trabalho, entendendo a profissão como meio de conquistar os céus na terra, um paraíso construído de tijolos, tecnologia e status social. Dedicar-se à oração, conhecer um pouco mais da Revelação, aperfeiçoar o caráter para servir, cumprir a missão de evangelizar o mundo, praticar a caridade e compartilhar aquilo que se tem não parece interessante, na verdade, é até desprezível para alguns. Os valores ensinados e vividos por Cristo são substituídos por outros, inversos e ilusórios. Os homens perverteram a boa nova em “boa nota”. Entronizaram Mamom e colocaram o Rei Jesus no seu estrado. Claro que essa perversão não é de agora, Paulo já falava a Timóteo sobre os perigos da cobiça, colocando a avareza como raiz de todos os males e a cobiça como tropeço para a fé e fonte de tormento (I Timóteo. 6:10). O tempo chamado hoje precisa tirar a cédula dos olhos e voltar a contemplar o Santo Filho de Deus.

 

A igreja sem essência bíblica e o materialismo são fatores externos de um problema interno. A distração nasce na alma, quando lentamente decidimos tirar os olhos da cruz e passamos a observar o que está além dela. Além da cruz está a cidade dos homens que o crucificaram. A Jerusalém terrena está dentro de cada um de nós, com sua ambição pelo poder, jogo de vaidades e mágoas, negociatas, prostituição, proselitismo religioso e rejeição a um Rei humilde nascido num coxo. Os pecados dos assassinos de Jesus não diferem dos nossos. Ainda erguem o muro da separação. Impedem de ver o que está do outro lado, a glória de Deus. Eles cegaram a Israel e vendam os olhos dos que buscam a Cristo na Igreja. A essência do homem continua a mesma. Um escravo de si mesmo, precisando de Alguém capaz de libertá-lo da escuridão espiritual que impede a visão do alvo.

 

Cristo não está alheio a tudo isso. Ele continua brilhando na vida de tantos que o amam, iluminando aqueles que andam distantes. É possível ver discípulos glorificando ao Pai através de atitudes aprendidas no Evangelho e concretizadas em gestos de amor, justiça e piedade. Existe muita gente transformada em Jesus e não conformada com a religião. Alguns são ousados, outros são discretos, mas todos estão olhando para a mesma Pessoa, a mesma direção. Estão no Caminho certo. Ainda não alcançaram o alvo, mas rumam a Ele. Entendem, creem e assumem que a cruz é o arco, a flecha é a fé e o alvo é Cristo!

 

 

 


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