Quem entrará no reino dos céus? (Parte - I)

03/11/2013 01:47

 

 

Leia todo o capítulo 5 do Livro de Mateus

 

Mateus, ao descrever aquele período do ministério de Jesus que inclui o que chamamos “O Sermão do Monte”, explica que Jesus percorria “toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino” (Mateus 4:23).

 

O sermão que se segue começa descrevendo aqueles para os quais o reino dos céus existe, (Mateus 5:3), e termina explicando quem entrará no reino dos céus (Mateus 7:21). O capítulo 5 é uma descrição do caráter dos cidadãos do reino e contém instruções sobre como ser aceitável ao Rei dos reis.

 

O perfil do cidadão do reino

 

O sermão de Jesus começa com uma lista de bem-aventuranças que tanto inicia quanto termina afirmando que “deles é o reino dos céus”. Essas bem-aventuranças são prometidas àqueles que possuem certo conjunto de qualidades (5:3,10), que não são méritos garantidores de salvação, mas que representam os muitos aspectos do caráter dos cidadãos do reino de Deus.

 

Essas qualidades de caráter poderiam ser surpreendentes ou até mesmo decepcionantes para alguns. Ao invés de serem pessoas conhecidas pelo orgulho, força e invencibilidade, os cidadãos do reino dos céus são pobres, e reconhecem sua pobreza (5:3). Eles lamentam o que é errado (o pecado e suas consequências) no mundo (5:4); estão famintos por algo que substitua sua própria injustiça (5: 6); são mansos, misericordiosos, puros de coração, e ansiosos por levar a paz de Deus ao mundo (5: 5-9). No fim da lista, eles são perseguidos (5:10), injustamente (5:11), e sem alívio neste mundo (5:12).

 

Somos tocados por duas importantes conclusões sobre as descrições desses cidadãos. Primeiro, os cidadãos não trazem consigo ao reino nenhum poder ou valor próprio. Alguém poderia esperar cidadãos que têm dinheiro, força, poder, beleza exterior, inteligência, méritos humanos ou popularidade para contribuir, antes que aqueles que são pobres, lamentosos, famintos e sedentos, isto é, que se caracterizam muito mais pela necessidade do que pela posse.

 

Em segundo lugar, essas são qualidades que existem na natureza espiritual dos cidadãos. Suas necessidades e carências são espirituais, e eles não serão desapontados ao saberem que o reino de Deus não lutará por vitórias terrenas (João 18:36), nem se preocupará com comida e bebida, pois eles esperam, em vez disso, “justiça, e paz, e alegria” (Romanos 14:17).

 

A Justiça do Cidadão do Reino

 

A lei e a submissão à lei (justiça) são transações entre reis e cidadãos. Ainda que os cidadãos não forneçam nenhuma contribuição essencial para a sobrevivência do reino, deles se espera muita obediência. O próprio Jesus foi o cumprimento da lei e dos profetas (5:17), e foi também a revelação de Deus quanto à Sua vontade aos possíveis súditos. Jesus ressaltou a obediência e o ensinamento da lei de Deus como uma medida direta da sua posição no reino (5:19).

 

Novamente, aqui ficamos surpresos. Jesus diz que: “se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”. Como poderia ser ultrapassada a justiça dos escribas e fariseus, que eram famosos pelo seu conhecimento e obediência à lei de Deus?

 

Primeiro, a obediência dos escribas e fariseus não era motivada pelo desejo de agradar a Deus; mas sim, por outras razões de valor profundamente infeior: o desejo de serem vistos pelos homens (6:2; 23:5), a esperança de receber algo em troca do que se fez (5:46-47), ou o desejo de retribuição por ofensas feitas (5:38,43).

 

Segundo, e mais importante, a obediência deles não partia do espírito. Enquanto governantes terrenos estão preocupados apenas com os atos externos (não roubar, pagar seus impostos, etc.), o reino dos céus governa o coração.

 

Em vez de meramente proibir o homicídio (o ato), a ira sem causa é proibida e o desejo e esforço para o perdão é exigido (5:21-24). Além de restringir as atividades sexuais, a cobiça (o pensamento do coração) é condenada (5:27-28). A veracidade, ultrapassando o mero cumprimento dos votos para incluir tudo o que se fala, é exigida (5:33-37). Em vez de prover meios para retaliação legal, como muitos governos humanos fazem, os cidadãos do reino precisam retribuir com bondade ao abuso sofrido (5:38-42). O reino dos céus está cheio de cidadãos que amam, abençoam, perdoam, fazem o bem, e oram por aqueles que os maltratam e perseguem (5:43-47).

 

A pregação do evangelho do reino começa com a promessa de grandes bênçãos para aqueles que têm o caráter adequado. Esse caráter precisa ser desenvolvido em cada um de nós ouvindo e seguindo a Palavra do Senhor. O processo exige um reconhecimento da necessidade (“fome e sede”), uma vontade de começar sozinho (“uma cidade edificada sobre um monte”) e a coragem de fazer sacrifícios doloridos (“se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti”). O resultado é uma perfeição de espírito que reflete a perfeição do Pai (5:48), pelo qual as qualidades desenvolvidas em sujeição ao Rei e as bênçãos recebidas na participação no reino são idênticas.

 

Não perca, em nossa próxima Reflexão Pastoral, a segunda e última parte deste estudo.

 

 

 


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