Quem mudou: eu ou o evangelho?

19/11/2013 02:05

 

 

 “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé

e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios.

Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos...”

(I Timóteo 4:1-2)

 

 

1989 – ano em que Jesus entrou em minha vida para (graças a Deus) dela nunca mais sair. Era uma época em que não se falava em unção do riso, não havia paletós voadores, sal grosso e água ungida era exclusividade dos terreiros de umbanda, cantores evangélicos se apresentavam nas igrejas e não nas casas de espetáculo e na Rede Globo. Naquele tempo tínhamos grupos de crescimento nos lares e escola bíblica dominical e não as perigosas e heréticas células do G12; pastores e não apóstolos, a igreja era lugar de consagração e não um palco de danças coreografadas, ninguém sequer cogitava a existência de pastoras, bispas, ninguém vendia água do Rio Jordão e o dízimo era uma forma de adoração e não um balcão de barganhas que nos permita exigir de Deus... Eu tinha 17 anos, e ouvia pregações sobre a volta de Cristo, o cristão ter que renunciar a si mesmo, não ser moldado e nem assemelhado ao mundo. Tínhamos Jesus no coração em vez de brincos na orelha e tatuagens pelo corpo. Nossos evangelistas pregavam em carrocerias de pequenos caminhões e não nas campanhas de semente financeira das telas de tv, nossas congregações eram simples e ungidas e não palácios de mármore e vidros temperados. Confesso que era bem menor o número de pessoas ditas evangélicas no Brasil, comparando-se aos dias atuais. Mas também confesso que seu nível de compromisso com o Pai era muito maior.

 

 

Hoje, é notório o crescimento quantitativo no meio evangélico brasileiro: há pessoas ditas evangélicas nas classes mais abastadas, no meio artístico, nos círculos acadêmicos, o que era raro em décadas passadas. Hoje temos até personagens do meio pornográfico que se assumem evangélicos.

 

 

Só que ao mesmo tempo em que houve esse crescimento quantitativo, a impressão que tenho é que o evangelho no Brasil tornou-se uma porta “menos estreita”, onde quase tudo é permitido, em que se diz que Deus é cardiologista, pois só quer o coração. O evangelho pregado em alguns púlpitos deixou de ser cristocêntrico, para ser antropocêntrico, dando ênfase à satisfação terrena do homem: exige-se de Deus, que é aclamado como o dono do ouro e da prata, testemunha-se com orgulho a aquisição de carros novos, o tornar-se empresário sem ter patrão, quitação de dívidas, compra de imóveis milionários etc. Isso tudo é pregado, baseado em versículos isolados e os novos convertidos ou evangélicos desprovidos de fundamentação bíblica, tornam-se presas fáceis desse tipo de evangelho de barganha.

 

 

Creio que Deus é onipotente, mas creio também que não devemos inverter os papéis, onde Ele se torna servo do homem para satisfazer suas ambições materiais. Será que os fins justificam os meios? Será que com o objetivo do Brasil ter a maioria dos seus habitantes evangélicos, vale a pena comercializar o genuíno evangelho? Creio que não e lutarei até meu último suor e meu derradeiro sangue contra tudo que se apresente dessa forma.

 

 

Tantos anos após aquele inesquecível dia tudo que avisto são modismos em nosso meio, ventos de doutrina e fogo estranho, o que tem levado muitos à confusão espiritual e até ao fanatismo mental - tudo em nome do novo evangelho.

 

 

Será que após quatro décadas de vida eu fiquei velho, ultrapassado e não me adaptei aos tempos modernos de um novo evangelho e uma nova visão? Creio que não, pois a mensagem do evangelho é universal, atemporal e para a expansão da pregação do reino de Cristo, com qualidade e não apenas com visão quantitativa, não precisamos acrescentar novos fundamentos. 

 

 

Quem mudou? Eu ou evangelho? Nenhum dos dois. Só a quantidade de joio que se multiplicou sobremaneira, comprovando que estamos nos dias vaticinados pelas referências bíblicas abaixo:

 

 

“Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição.”. (II Tessalonicenses 2:3)

 

 

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (II Timóteo 4:3-4)

 

 

“E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” (Mateus 21:13)

 

 

 


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Centenas de templates
  • Todo em português

Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também!