Refletindo sobre as Igrejas do Apocalipse - Parte 5 (Sardes)

26/10/2013 00:40

 

 

A Carta à Igreja em Sardes

 

Frequentemente julgamos os outros pela aparência. Observamos o comportamento e tentamos entender os motivos. Jesus julga os corações. Ele vê o caráter verdadeiro de cada pessoa e de cada igreja. Quando enviou esta carta ao mensageiro da igreja em Sardes, ele contrariou a impressão popular dos discípulos. Apesar de ter a reputação de uma igreja forte e ativa, Ele viu as falhas e sabia que aquela congregação já estava quase morta. Se não voltasse a viver, seria tomada de surpresa, como se fosse por um ladrão. 

 

Ao Anjo da Igreja em Sardes (Apocalipse 3:1-6)

 

A igreja em Sardes (1): A cidade antiga de Sardes, hoje apenas ruínas perto da atual vila de Sarte na Turquia, considerava-se impenetrável. Foi situada numa rota comercial importante no vale do Hermo, com a parte superior da cidade (a acrópole) quase 500 metros acima da planície, nos rochedos íngremes do vale. Era uma cidade próspera, em parte devido ao ouro encontrado no Pactolos, um ribeiro que passava pela cidade. A cidade antiga fazia parte do reino lídio. Pela produção de ouro, prata, pedras preciosas, lã, tecido, etc., se tornou próspera. Os lídios foram o primeiro povo antigo a cunhar regularmente moedas. Em 546 a.C., o rei lídio, Croeso, foi derrotado pelos persas (sob Ciro o Grande). Soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e, depois, subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a cidade inexpugnável caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite! Em 334 a.C., a cidade se rendeu a Alexandre o Grande. Em 214 a.C., caiu outra vez a Antíoco o Grande, o líder selêucido da Síria. Durante o período romano, pertencia à província da Ásia, mas nunca mais recuperou o seu prestígio. Era uma cidade com um passado glorioso e um presente de pouca importância em termos políticos e comerciais. 

 

Aquele que tem os sete Espíritos de Deus (1): Sete representa a totalidade e a perfeição Divina. Diante do trono de Deus, “ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus” (4:5). Os sete olhos do Cordeiro “são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (5:6). Deus sabe tudo e vê tudo (veja II Crônicas 16:9). Nada em Sardes seria escondido da onividência e onisciência de Jesus. 

 

As sete estrelas (1): Jesus não somente vê, Ele também controla. Ele segura os mensageiros das igrejas na sua mão direita (1:16,20). Pode ver, julgar e até punir conforme a Sua infinita sabedoria. Aqueles que se posicionam em lugar de destaque nas igrejas não devem jamais esquecer dessa verdade.

 

Conheço as tuas obras (1): Como nas outras cartas, aquele que estava no meio dos candeeiros conhecia perfeitamente as obras e os corações das igrejas. Ele sabe tudo que se passa em nossas igrejas atuais também.

 

Tens nome de que vives, e estás morto (1): Esta frase ilustra perfeitamente a diferença importante entre reputação e caráter. A reputação é a fama da pessoa, o que os outros acham que ela é. O caráter é a essência real da pessoa, o que realmente é. As outras pessoas podem ver somente por fora, mas Jesus vê o homem interior e sonda os corações. Ele não pode ser enganado por ninguém. A igreja de Sardes teve a reputação de ser ativa e viva, mas Jesus sabia que estava quase morta. Ele não fala de perseguição romana, nem de conflitos com falsos judeus. Não cita nenhum caso de falsos mestres seduzindo o povo ao pecado. Ele fala de uma igreja aparentemente em paz e tomada por indiferença e apatia. A boa fama não ocultou a verdadeira natureza desta congregação dos olhos do Senhor. Isso inegavelmente nos faz pensar em muitas igrejas históricas, outrora frutíferas, missionárias e ardentes na fé, mas que hoje sucumbem na morbidez litúrgica e estacionam na tradição estéril. Vivem de sua história, mas já não fazem história – têm nome de quem vive, mas já feneceram.

 

Sê vigilante (2): Por falta de cuidado, Sardes caiu aos seus inimigos em guerra. Espiritualmente, discípulos e igrejas caem por falta de vigilância. Muitas passagens no Novo Testamento frisam a importância da vigilância, pois o pecado nos ameaça (Mateus 26:41; I Pedro 5:8). Falsos mestres procuram devorar os fiéis (Atos 20:29-31). Não devemos descuidar, porque não sabemos a hora que o Senhor vem (Mateus 24:42,43; 25:13; Lucas 12:27-39; I Coríntios 16:13; I Tessalonicenses 5:6). O bom soldado toma a armadura de Deus e vigia constantemente com perseverança e oração (Efésios 6:18; Colossenses 4:2). A negligência para com essa verdade, indubitavelmente, explica a incidência alarmante de heresias que se misturam à doutrina cristã atual.

 

Consolida o resto que estava para morrer (2): Uma última tentativa de resgate (veja Judas 22-23). A igreja em Sardes estava quase morta, mas ainda houve uma esperança de salvar alguns, ou talvez até de reavivar a congregação. O quadro letárgico ou depravado de alguns segmentos cristãos atuais não pode desanimar aqueles que amam a Deus e Sua Obra, pois sempre haverão joelhos que não se dobram aos baalins da modernidade.

 

Não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus (2): Para ter a reputação de ser uma igreja viva, parece que ainda havia alguma atividade em Sardes. O problema não foi a ausência total de obras, mas a falta de integridade delas. É possível defender a doutrina de Deus sem amar ao Senhor (2:2-4). É possível obedecer mandamentos de Deus sem inteireza de coração (II Crônicas 25:2). É possível fazer coisas certas com motivos errados. Os homens podem ver as obras; Deus vê os corações e se alegra não objetivamente com o que fazemos, mas com a causa que nos impulsiona.

 

Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te (3): Como a cidade de Sardes olhava para seu passado glorioso, a igreja precisava lembrar as grandes bênçãos recebidas e voltar a valorizar a sua comunhão especial com Deus. Se esquecermos da Palavra de Deus e da salvação da ini       quidade, facilmente cairemos no pecado (veja II Pedro 1:8-9). Para nos firmar na fé, precisamos lembrar o que temos recebido. Não é por acaso que a Ceia do Senhor foi dada como a celebração central das reuniões dos cristãos. Quando lembramos da morte de Jesus, do sacrifício que Ele fez por nós, ficamos mais firmes em nossos passos rumo ao céu (I Coríntios 11:24-26). Mas não é suficiente lembrar as coisas que ouvimos; precisamos guardar as Palavras do Senhor. O evangelho não é apenas para ouvir; é para ser obedecido (II Tessalonicenses 1:8; I Pedro 4:17). No caso do povo desobediente de Sardes e todos aqueles que um dia estiveram em Cristo e hoje vagam na indiferença, Deus os desafia a se arrependerem para voltar às boas obras de obediência. 

 

Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti (3): A figura de um ladrão encontrando pessoas despreparadas é comum nas Escrituras. Jesus empregou esta ideia várias vezes no seu trabalho entre os judeus (veja Mateus 24:43; Lucas 12:39) e os apóstolos repetiram este exemplo nas suas cartas (I Tessalonicenses 5:2-4; II Pedro 3:10). No Apocalipse, Jesus prometeu vir como ladrão, encontrando despreparadas as pessoas que não vigiavam (16:15).  Você está atento(a)? Ou a sonolência espiritual governa sua fé em dias atuais?

 

Poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras (4): No meio de uma igreja quase morta, Jesus encontrou algumas pessoas fiéis! Este fato nos lembra de que o julgamento final será individual (veja 2:23; 22:12). Cada um receberá “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (II Coríntios 5:10). Embora as cartas fossem destinadas às sete igrejas, as mensagens precisavam ser aplicadas na vida de cada discípulo. A salvação não é coletiva; é individual. Ao mesmo tempo, não devemos interpretar este versículo para justificar tolerância de pecado aberto numa igreja. Pessoas que sabem do pecado e não agem para corrigi-lo não podem alegar ter vestiduras brancas, pois desobedecem a Palavra de Deus (Gálatas 6:1-2; Mateus 18:15-17; Tiago 5:19-20; etc.). Não devemos ser participantes nem cúmplices nas obras das trevas (Efésios 5:7,11). 

 

Andarão de branco junto comigo (4): Já andavam de vestidura branca, sem as manchas do pecado. Esperavam andar com Jesus de roupas brancas, representando a vitória final sobre o pecado. “Linho finíssimo, resplandecente e puro...são os atos de justiça dos santos” (19:8). É Deus quem nos aperfeiçoa e nos equipa para toda boa obra (II Timóteo 3:16-17). 

 

Pois são dignos (4): Estes fiéis são dignos, não por mérito próprio, mas por serem pessoas salvas pela graça, pessoas que andam nas boas obras determinadas por Deus (Efésios 2:8-10).

 

O vencedor ... vestiduras brancas (5): A mesma promessa feita aos puros em Sardes se aplica geralmente ao vencedor. Terá vestiduras brancas de pureza e vitória. As pessoas de vestiduras brancas participam da grande festa de louvor ao Cordeiro em 7:9. 

 

De modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida (5): O "Livro da Vida" é mencionado várias vezes na Bíblia (veja 3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:27; Filipenses 4:3). Paulo disse que as pessoas que cooperavam com ele no evangelho tinham seus nomes escritos no Livro da Vida (Filipenses 4:3). Jesus disse que os nomes dos vencedores que se mantêm puros não seriam apagados deste livro (3:5). Em contraste, os que rejeitam a Palavra de Deus e servem a falsos mestres não têm seus nomes escritos no Livro da Vida (13:7-8; 17:8). No julgamento descrito em 20:11-15, esses são condenados ao lago de fogo. Por outro lado, na cidade iluminada pela glória de Deus, somente entram aqueles cujos nomes são inscritos no Livro da Vida (21:27).

 

Confessarei o seu nome diante de meu Pai (5): Jesus prometeu confessar diante do Pai todo aquele que confessa o nome dele diante dos homens. Prometeu, também, negar os nomes daqueles que se envergonharem dele (Mateus 10:32-33; Marcos 8:38). O mundo percebe com clareza seu compromisso com Cristo ou teria você vergonha de ser identificado publicamente como crente?

 

Quem tem ouvidos, ouça (6): Todos devem prestar atenção! 

 

Lições obtidas com o exemplo de Sardes

 

O processo de morte de uma igreja pode acontecer lentamente, passando quase despercebido. As próprias pessoas na congregação, como outras pessoas olhando de fora, podem achar que esteja tudo bem. Jesus, porém, julga os corações e conhece o estado verdadeiro de cada igreja e cada discípulo. Ele também sabe se você é essencialmente aquilo que aparenta ser ou se por trás da máscara religiosa encontra-se uma alma aparentemente viva, mas espiritualmente morta! 

 

 


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