Refletindo sobre as Igrejas do Apocalipse - Parte 6 (Filadélfia)

27/10/2013 00:22

 

 

A Carta à Igreja em Filadélfia

 

Entre as sete cartas às igrejas no Apocalipse, encontramos duas que não contêm nenhuma crítica ou censura: A carta à igreja em Esmirna, uma congregação pobre que enfrentava perseguição, e a carta à igreja em Filadélfia, uma congregação fraca e limitada, mas que dependia de Deus. Os homens tendem a medir força e qualidade em termos de tamanho, poder e riqueza. Jesus vê as igrejas de forma diferente. Em tempos de verdadeira competição denominacional, onde a grandeza do trabalho cristão é medida por programas de tv, por suntuosidade de templos, pelas cifras adquiridas ou pela fama e prestígio dos modernos “apóstolos”, a igreja de Filadélfia se torna um modelo esquecido. Todavia, independente do sucesso em termos do que o mundo vê e mede, Jesus olha para o caráter e o coração de cada discípulo e de cada igreja. Ele sabe muito bem onde habita a humildade sincera e quem verdadeiramente pertence a Ele e o ama.

 

Ao Anjo da Igreja em Filadélfia (3:7-13)

 

A igreja em Filadélfia (7): As únicas referências bíblicas a Filadélfia se encontram no Apocalipse (1:11; 3:7). A cidade de Filadélfia usufruía de uma localização estratégica de acesso entre os países antigos de Frígia, Lídia e Mísia. Foi fundada pelo rei de Pérgamo, Atalo, cerca de 140 a.C. Ele foi conhecido por sua lealdade ao seu irmão, assim dando origem ao nome da cidade (Filadélfia significa amor fraternal). A região produzia uvas e o povo especialmente honrava Dionísio, o deus grego do vinho. A cidade servia como base para a divulgação do helenismo às regiões de Lídia e Frígia. Foi localizada num vale no caminho entre Pérgamo e Laodicéia. Filadélfia foi destruída por um terremoto em 17 d.C. e reconstruída pelo imperador Tibério. Em alguns momentos de sua história, a cidade recebeu nomes mostrando uma relação especial ao governo romano. Depois de ser reconstruída, foi chamada brevemente de Neocesaréia. Durante o reinado de Vespasiano, foi também chamada de Flávia (nome da mulher dele, e a forma feminina de um dos nomes dele). Atualmente, a cidade de Alasehir fica no mesmo lugar, construída sobre as ruínas da antiga Filadélfia.

 

Estas coisas diz o santo, o verdadeiro (7): Nesta carta, Jesus não empregou as descrições do capítulo 1 para se identificar. Ele afirma ser o santo o verdadeiro. São características divinas (6:10). A santidade é uma das qualidades principais de Deus (veja 4:8; Isaías 6:3). Ninguém é igual ao Santo Deus (Isaías 40:25). A palavra “verdadeiro” é usada frequentemente no Novo Testamento, e especialmente nos livros de João, em referência a Deus (Pai e Filho). Veja João 3:33; 7:28; 8:26; 17:3; 1 João 5:20; Apocalipse 3:7; 6:10; 19:11; Romanos 3:4; 1 Tessalonicenses 1:9. Tal afirmação enfatiza a sinceridade do Cristo, em contraste com a falsidade dos judeus em Filadélfia, e também alude a uma virtude (franqueza) que deve ser traço característico de todos aqueles que afirmam pertencer ao Senhor.

 

Aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá (7): Esta linguagem vem de Isaías 22:20-24, onde a autoridade sobre Jerusalém e sobre Judá é transferida a Eliaquim. A chave representa autoridade e poder. Jesus, como descendente real de Davi, controla o acesso ao reino de Deus. Ele abre, e ninguém é capaz de fechar. Ele fecha, e ninguém consegue abrir. Salvação e condenação são prerrogativas exclusivas do Filho de Deus!

 

Conheço as tuas obras (8): Como afirmam todas as cartas, Jesus conhece de primeira mão as obras dos cristãos em Filadélfia. Ele também sabe tudo sobre você, inclusive o que você jamais teria coragem de confessar publicamente.

 

Tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar (8): Antes de falar sobre as obras deles, Jesus já oferece encorajamento a esses discípulos. Mesmo sendo servos fiéis, eles se sentiam fracos e, talvez, incapazes de cumprir bem seus deveres para com o Senhor. Jesus queria assegurá-los de sua fidelidade para com os Seus servos.

 

Portas abertas representam acesso e oportunidades. Deus abre a porta da fé quando oferece o evangelho aos homens (Atos 14:27), assim lhes dando acesso à comunhão com Ele. Abre portas de trabalho para seus servos divulgarem a Palavra (I Coríntios 16:9; II Coríntios 2:12; Colossenses 4:3). Aqui Ele não fala especificamente da natureza das oportunidades dadas aos discípulos em Filadélfia, mas garante que as portas ficariam abertas. Hoje, quando Deus abre portas de oportunidade para nós, devemos aproveitá-las (Tiago 4:17).

 

Que tens pouca força (8): Fraqueza nem sempre sugere pecado. Jesus não condena esta igreja por nenhum erro, mas diz que ela tinha pouca força. Pode ser que fossem poucos em número, ou de outra maneira limitados em capacidade. Quando reconhecemos as nossas próprias limitações e fraquezas, devemos confiar mais em Deus e depender de sua força (II Coríntios 12:9-10). Como Eliseu venceu os siros pelo poder de Deus (veja II Reis 6:16-17), os fiéis em Filadélfia teriam sua vitória pela força de Jesus. Não se intimide, pois, se a sua condição de vida é modesta. Não se entristeça se o seu nível cultural é rasteiro. Não lamente por pertencer a um Ministério pequeno e desconhecido. Sua fraqueza é uma pérola aos olhos de Deus, pois é por meio dela que o poder do alto se aperfeiçoa em você.

 

Entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome (8): Apesar de suas limitações, a igreja em Filadélfia se mantinha fiel. Guardava a Palavra de Jesus. Ele veio ao mundo e revelou a Sua Palavra, que nos julgará no último dia (João 12:48-50). Esta nova aliança entrou em vigor após a morte de Jesus (Hebreus 9:15-17; 8:6-13). Devemos obedecer à perfeita lei da liberdade que Jesus nos deu (Tiago 1:25). Eles defendiam o nome de Jesus e não o negaram. Você tem feito o mesmo?

 

A sinagoga de Satanás (9): Havia uma sinagoga de Satanás, uma congregação de falsos judeus, também em Esmirna (2:9). Sabemos do livro de Atos que as primeiras perseguições da igreja, tanto em Jerusalém como na Ásia, foram feitas por judeus. A igreja em Filadélfia sofreu por causa desses falsos judeus. Em nossos dias há muitas “sinagogas de satanás”, servindo ao mundo, ainda que com máscara de cristianismo. São o joio perseguidor da atualidade, que promovem heresias em nosso meio e tentam colocar o povo de Deus contra aqueles que ainda defendem a sã doutrina. Tomemos cuidado para não confundirmos uma igreja de Jesus com uma sinagoga de satanás.

 

Eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei (9): Apesar de serem fracos, os discípulos em Filadélfia ficariam ao lado do vencedor. Seriam exaltados acima dos seus inimigos (veja Isaías 60:14). Os servos fiéis e vitoriosos podem reinar com Cristo sobre as nações (20:4; 2:26-27), mas a glória e a adoração ainda pertencem totalmente ao Senhor. Esta honra serviria de prova do amor de Jesus para com os seus seguidores. Os falsos judeus os odiavam, mas o Senhor e Cristo os amava. Aleluia! Essa benção se estende a todos que se mantiverem fiéis ao Cristo bíblico.

 

Porque guardaste a palavra da minha perseverança (10): Ainda que fracos, não desistiram, não se desviaram!

 

Eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra (10): Os discípulos em Filadélfia seriam guardados num período de provação que afligiria o mundo. Pode ser uma referência à perseguição que começou no reinado de Domiciano e que causou terrível sofrimento e a morte de centenas de milhares de pessoas. Independente da natureza específica desta provação, Jesus prometeu proteção (mas não isenção de sofrimento) aos fiéis em Filadélfia. Ainda precisariam conservar o que tinham (3:11). Em tempos de rude tribulação, lembremos que o Senhor está conosco.

 

Venho sem demora (11): A vinda de Jesus traria alívio para os servos que sofriam pelo nome dele, e castigo terrível para os perseguidores e imundos. Para a maioria em Sardes, seria um dia de angústia (3:3). Para os cristãos em Filadélfia, seria um dia de alívio. A volta de Jesus pode ser uma boa ou má notícia. Tudo depende de quem somos em relação ao Seu evangelho.

 

Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa (11): Depois de tudo que Jesus fez e prometeu, os cristãos em Filadélfia ainda teriam que fazer a sua parte. Ainda enfrentariam tentações e correriam o risco de perder tudo que haviam alcançado. Mesmo os servos mais fiéis precisam vigiar e permanecer fiéis até o fim. A maior riqueza de um cristão é a sua salvação. Ela é garantida por Deus, mas pode ser perdida, se dermos ocasião ao pecado e desistirmos da servidão sincera ao Senhor.

 

Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus (12): As colunas de Filadélfia racharam e caíram no terremoto algumas décadas antes, mas as colunas no verdadeiro templo de Deus jamais serão destruídas. Estas não são de pedra; são colunas vivas e firmes. Jesus não fala somente de líderes nas igrejas (veja Gálatas 2:9), mas de todos os vencedores fiéis. Os discípulos do Senhor são, ao mesmo tempo, pedras vivas e sacerdotes (I Pedro 2:5-9).

 

Daí jamais sairá (12): Os vencedores permanecerão no templo para sempre. Terão comunhão eterna com Deus.

 

Gravarei...sobre ele (12): Várias descrições mostram a posição privilegiada do vencedor. Nomes gravados sugerem posse. O vencedor pertence a Deus. Ele faz parte do “povo de propriedade exclusiva de Deus” (I Pedro 2:9). Ele também pertence à cidade de Deus, a nova Jerusalém. A nova Jerusalém é a noiva de Cristo (21:2). O vencedor faz parte da noiva, da igreja que pertence somente a Jesus. Ele recebe, também, o nome de Cristo. Jesus confessará abertamente os nomes dos seus servos (Mateus 10:32).

 

Quem tem ouvidos...ouça (13): Jesus viria logo para castigar e salvar. É importante ouvir a Sua mensagem e estar preparado.

 

Lições obtidas com o exemplo de Filadélfia

 

Como identificar uma igreja boa? Seria a maior? A mais ativa? A mais conhecida? A mais rica? Certamente Jesus julga por critérios diferentes dos nossos. Ele pode ver uma igreja pobre ou fraca como uma congregação fiel, dedicada e perseverante. Ao invés de tentar impressionar os homens, devemos nos dedicar ao desenvolvimento do caráter que agrada a Deus, pois essa é a nossa verdadeira obrigação, tanto no aspecto ministerial quanto no discipulado pessoal.

 

 


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