Refletindo sobre as Igrejas do Apocalipse - Parte Final (Laodicéia)

28/10/2013 01:38

 

 

A Carta à Igreja em Laodicéia 

 

O vale de Lico, na Ásia Menor, tinha três cidades principais: Colossos, conhecida por suas fontes de água fria, Hierápolis, conhecida por suas fontes de águas termais, e Laodicéia, conhecida por sua igreja morna, que causou enjoo no seu Senhor, Jesus Cristo.

 

Ao Anjo da Igreja em Laodicéia (3:14-22)

 

A igreja em Laodicéia (14): A igreja em Laodicéia é citada no Apocalipse (aqui e em 1:11) e na carta de Paulo aos colossenses (4:13-16). As cidades de Laodicéia, Colossos e Hierápolis (veja Colossenses 4:13) ficavam no vale do rio Lico. Laodicéia situava-se no local da cidade moderna de Denizli, Turquia, no cruzamento de estradas principais da Ásia Menor. Antigamente, a água da cidade vinha por meio de aquedutos das fontes termais ao sul da cidade. Até chegar em Laodicéia, a água ficava morna. A qualidade dela não era boa, e a cidade ganhou a reputação de ter água não potável. Ao engolir esta água, muitas pessoas vomitavam. Semelhantemente, Jesus sentiu vontade de vomitar de sua boca a igreja de Laodicéia (3:15-16).

 

Outras características de Laodicéia servem como base para a linguagem desta carta. Foi conhecida como um centro bancário (3:17-18). A região produzia lã preta (3:18) e um tipo de colírio para os olhos (3:19).

 

O Amém (14): Esta palavra vem de origem hebraica. No começo de uma afirmação significa “certamente” ou “verdadeiramente”. No fim, pode ser entendida como “que seja assim”. Jesus é a palavra final, a autoridade absoluta.

 

A testemunha fiel e verdadeira (14): Quase a mesma descrição encontrada em 1:5. Jesus traz o verdadeiro testemunho sobre seu Pai e a vontade dele para com os homens. Ele fala a verdade em cada promessa e cada advertência que vem da sua boca.

 

O princípio da criação de Deus (14): Esta expressão admite duas interpretações. Dependemos de informações de outros trechos bíblicos para escolher o sentido correto. A frase em si pode ser entendida no sentido passivo (o primeiro criado por Deus), ou no sentido ativo (a origem ou a fonte da criação). A diferença é óbvia e significativa. Jesus é uma criatura ou o eterno Criador? Ele foi feito por Deus ou é Deus? A resposta vem de outras passagens. Jesus é eterno (João 1:1; Apocalipse 1:18), o primeiro e o último (Apocalipse 1:17). Ele é Deus conosco (Mateus 1:23), o verdadeiro Deus que se fez carne (João 1:14). Ele é o “Eu Sou” (João 8:24,58; veja Êxodo 3:14), o soberano “Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Apocalipse 17:14). Jesus não foi criado. Ele não veio a existir. Ele é eterno. Ele é Deus. Quem não aceitar este fato morrerá no seu pecado (João 8:24).

 

Conheço as tuas obras (15): Como fez com todas as igrejas destes dois capítulos, Jesus expressa o seu conhecimento íntimo da igreja em Laodicéia. Ele anda no meio dos candeeiros (1:13,20; 2:1). E como já dissemos ao analisarmos as igrejas anteriores, é conveniente uma reflexão profunda aqui. o mundo vê o que queremos mostrar. Muitos de nós são o oposto daquilo que em público se avista, mas Deus conhece a nossa intimidade primária e sabe qual o real nível de sinceridade que nutrimos.

 

Que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! (15): As águas termais de Hierápolis ajudavam no tratamento de alguns problemas de saúde. As águas frias de Colossos eram boas para beber. Mas as águas mornas de Laodicéia basicamente não serviam para nada; só davam ânsia de vômito! A indefinição é um dos mais perigosos terrenos a se caminhar. Muitos se iludem com a ideia de que seja possível estabelecer elos e conexões entre vida cristã e mundanismo. Deus, porém, repudia a postura dos que não se definem. É mais fácil um ímpio confesso achar mercê aos olhos do Pai, do que um inconstante, que deseja Cristo e o mundo ao mesmo tempo.

 

Assim...estou a ponto de vomitar-te da minha boca (16): Jesus olhou para a igreja de Laodicéia, contente no seu estado de autossuficiência e falsa confiança, e sentiu vontade de expulsá-la de sua presença. Impactante é essa sentença. Para aqueles que defendem o famoso “uma vez salvo, salvo para sempre”, fica a latência de um aviso celestial: quem não caminha firme em direção a Cristo, jamais o terá verdadeiramente.

 

Pois dizes (17): As afirmações da própria igreja de Laodicéia não refletiam seu verdadeiro estado. É fácil dizer que está tudo bem na vida espiritual de uma igreja ou de uma pessoa, mas Jesus sabe a verdade. Ele vê as obras e sonda os corações. A igreja de Laodicéia mentia para si mesma, mas Jesus não foi enganado! Quantos em nossos dias não fazem o mesmo? Com as palavras balbuciam sentenças religiosas, mas com o coração

 

Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu (17): O orgulho dos discípulos de Laodicéia os cegou ao ponto de não enxergarem os seus problemas. Eles se achavam fortes e independentes, mas Jesus viu o estado real de uma igreja fraca, cega e infrutífera. A cidade de Laodicéia sofreu um terremoto em 60 d.C. e foi reedificada com recursos próprios, sem auxílio do governo romano. Parece que a igreja sentia a mesma atitude de autossuficiência, perigosíssima num rebanho de ovelhas que precisa seguir o seu Bom Pastor! Numa cidade conhecida por tratamentos de olhos, a igreja se tornou cega e não procurou o tratamento do Grande Médico. Precisavam da humildade dos publicanos e pecadores (Lucas 5:31-32). Numa cidade que produzia roupas de lã, a igreja andava nua, sem a vestimenta de justiça oferecida por seu Senhor (II Coríntios 5:3; Colossenses 3:9-10). Em tempos de teologia da prosperidade e do cristianismo antropocêntrico apregoado pelo G12, uma geração Laodicéia vive sob as garras do engano. Está a ponto de ser vomitada pelo Senhor, por conta de sua cegueira espiritual, que confunde comodismo com paz e materialismo com benção.

 

Aconselho-te (18): Jesus não elogiou a igreja em Laodicéia, mas ofereceu conselho para guiá-la de volta à comunhão íntima com Ele. Sugeriu três atitudes necessárias para a igreja:

 

1. Comprar de Cristo ouro refinado. A verdadeira riqueza é espiritual, e vem exclusivamente de Deus. Ele oferece o ouro puro, refinado pelo fogo. Um ouro ignorado pelos modernos teólogos da prosperidade.

 

2. Comprar do Senhor vestiduras brancas. É Deus quem lava os nossos pecados e nos veste de pureza e de atos de justiça (3:4; 19:8). Compromisso é a palavra. Não existe barganha no reino de Deus. Dízimos e ofertas não nos introduzem no “elitismo da fé”, pois as vestes brancas são santidade e justiça, que somente um coração renascido em Cristo pode produzir.

 

3. Comprar de Jesus colírio para os olhos. Somente Jesus pode curar a cegueira espiritual que aflige os orgulhosos e autossuficientes. Foi exatamente o mesmo problema que Jesus salientou nos fariseus (Mateus 15:14; 23:25-26). É o mesmo problema de qualquer um que esquece a importância do sacrifício de Jesus e passa a confiar em si mesmo (II Pedro 1:9).

 

Eu repreendo e disciplino a quantos amo (19): A correção que vem de Deus é uma manifestação do seu amor (Hebreus 12:4-11). Quando Deus nos corrige, devemos aceitar a disciplina como Ele deseja, para o nosso próprio bem. Ele quer nos conduzir ao arrependimento e à plena comunhão consigo. A disciplina aplicada pelos servos de Deus deve, também, ser motivada pelo amor (Hebreus 12:12-13). Esta atitude deve guiar os pais que corrigem os seus filhos (Provérbios 13:24), e os cristãos que corrigem os seus irmãos na fé (Tiago 5:19-20; II Coríntios 2:5-8). Laodicéia precisava dessa compreensão e muitos igrejas atuais também precisam.

 

Sê, pois, zeloso e arrepende-te (19): A solução para o problema dos discípulos em Laodicéia não seria meramente algumas mudanças externas. Precisavam do zelo para com Deus para se arrependerem. A palavra zelo em nossos dias adquiriu status de radicalismo e muitos já não aplicam a plenitude da Palavra em suas vidas, adotando relativismos que criam brechas para a entrada de influências do mundo. O resultado é sempre desastroso. Deus exige zelo e arrependimento.

 

Eis que estou à porta e bato (20): Jesus pôs uma porta aberta diante da igreja de Filadélfia (3:7), mas a igreja de Laodicéia colocou uma porta fechada diante de Jesus! Ele bate, mas não força ninguém a abrir a porta. Ele chama, mas depende dos ouvintes atender à Sua voz. Este versículo reforça o entendimento do livre arbítrio do homem. Jesus oferece a salvação a todos, mas cada pessoa toma a sua própria decisão. Importante também ressaltar que apesar dessa passagem ser muito usada em nossas abordagens evangelísticas, Jesus a utilizou se dirigindo a crentes, o que significa que mesmo adentrando pelas portas da igreja, muitos de nós fechamos a própria porta interior, impedindo o pleno acesso do Salvador em nossos corações.

 

Entrarei ... e cearei (20): Ambas as figuras, aqui, representam a comunhão com Cristo. Ele entra na casa e habita naqueles que obedecem a Sua Palavra (João 14:23). Cear com alguém sugere uma relação especial de estar de acordo ou em comunhão (I Coríntios 10:21; 5:11). É um privilégio especial comer à mesa do Rei (II Samuel 19:28). Não há ventura maior do que a bênção de cear com o Rei dos reis!

 

Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono (21): Os vencedores terão o privilégio de reinar com Cristo (veja 2:26-27; 20:4). Tal honra não seria para os orgulhosos e autossuficientes, mas para os humildes e obedientes. Jesus foi obediente ao Pai aqui na terra para ser exaltado ao lado dEle no céu (Filipenses 2:8-9). Somente os obedientes serão exaltados com Cristo. Essa é uma palavra que atinge em cheio a heresia que atribui “poderes” ao crente de “determinar” ou “profetizar” o que haverá de acontecer. O domínio de todas as coisas pertence a Deus!

 

Quem tem ouvidos... (22): Jesus bate e chama. Cabe ao homem sábio ouvir e atender a sua voz!

 

Lições obtidas com o exemplo de Laodicéia

 

Na carta à igreja em Laodicéia, Jesus não citou nenhuma doutrina errada e nenhum pecado de imoralidade. Ele não condenou a igreja por práticas idólatras. Esta igreja, que se achava rica e forte, foi criticada por seu orgulho e autossuficiência. Não se definia de forma clara, vivia uma fé sem zelo e repleta de relativismos. Exaltou-se, ao invés de se humilhar diante do Senhor dos senhores. Sua sentença é a mesma para todas as igrejas e cristãos que adotam igual condenável postura.

 

Agradecimentos a todos que acompanharam a Série: Refletindo Sobre as Igrejas do Apocalipse

 

Com a análise de Laodicéia, finalizamos essa Série. Obviamente não temos aqui a pretensão de ter esgotado o assunto. Sobretudo em se tratando de Apocalipse (um dos mais ricos conteúdos bíblicos), as aplicabilidades possuem vertentes infindas e há muitas obras, tanto no mercado literário quando na web bem mais profundas que essa nossa singela contribuição. Contudo, de forma humilde e muito sincera, procuramos atender à solicitação de centenas de leitores amigos que há tempos nos pediam uma avaliação dessa natureza. Nossa sincera oração é para que cada Reflexão tenha sido capaz de edificar e gerar uma autocrítica positiva em cada um de nossos queridos irmãos. Muito obrigado, paz e graça a todos, em Nome de Jesus!

 

 

 

 


Crie um site com

  • Totalmente GRÁTIS
  • Design profissional
  • Criação super fácil

Este site foi criado com Webnode. Crie o seu de graça agora!