RESPONDENDO PERGUNTAS DE LEITORES (Maio.14)

20/05/2014 10:16

 

Desidério Apolinário – Fortaleza (CE)

 

Pr. Reinaldo eu me sinto mal com a ideia ensinada por alguns pregadores de que Deus trata os pecadores de diferentes maneiras. Eu acho que Deus não na analisa o pecado numa fita métrica pra poder definir o que é pecadinho ou pecadão. Ou seja, eu penso que diante de Deus todo pecado é igual e não existe diferença nenhuma entre eles. O senhor concorda? Qual a sua opinião sobre isso?

 

Resposta

 

Querido irmão, obrigado por sua pergunta e pelo tema, que de fato é muito relevante.

Fundamental para entendermos o problema do pecado é a distinção entre pecado (condição) e pecados (atos pecaminosos). O pecado é uma condição humana de alienação de Deus e um princípio interior propulsor para o mal (ver Isaías 59:2; Efésios 2:1-3 e 5). Esse princípio se manifesta exteriormente através de atos pecaminosos. Cristo declara que “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios” (Marcos 7:21).

 

Embora a essência de todos os pecados seja sempre a mesma (alienação de Deus), existem algumas realidades que nos impedem de aceitar a teoria de que todos os pecados são iguais aos olhos de Deus. Uma delas é o processo pelo qual a tentação se transforma em pecado. Esse processo é geralmente composto pelos seguintes estágios: atenção, consideração, desejo, decisão, planejamento e ação. Uma vez que o grau de envolvimento nesse processo pode variar de intensidade, não podemos afirmar que o pecado de alguém que teve apenas um desejo pecaminoso momentâneo seja tão ofensivo a Deus como o pecado premeditado de Davi, com Bate-Seba (ver 2o Samuel 11).

 

Que Deus não considera todos os pecados iguais é evidente também no fato de o próprio Deus haver prescrito diferentes sacrifícios no Antigo Testamento para a expiação dos diferentes pecados (ver Levítico 1 a 7). Além disso, se todos os pecados fossem iguais, como querem alguns, porque deveriam os ímpios ser punidos no juízo final, “segundo as suas obras” (Apocalipse 20:11-13)? Porque alguns haveriam de ser castigados, naquele juízo, “com muitos açoites” e outros com “poucos açoites” (Lucas 12:47 e 48)? Se os pecados fossem iguais, não receberiam todos o mesmo castigo?

 

Porém, por mais insignificante que determinado pecado possa parecer, ele é suficientemente ofensivo para excluir o pecador do reino de Deus.

 

Hildenê Salustiano – Floriano (PI)

 

Pastor Reinaldo eu sei que muitos fariseus ficaram escandalizados quando Jesus perdoava pecados, mas o problema é que eles não sabiam que Jesus era o próprio Deus. Mas eu tenho visto alguns pastores perdoando pecados e isso é uma coisa que me incomoda. Eles não são Jesus, então porque acham que podem perdoar pecados de outros homens? O senhor concorda com isso pastor?

 

Resposta

 

Obrigado irmã Heildenê. Essa é uma questão de precisa realmente ser analisada com calma e profundo olhar bíblico.

 

Em que sentido Cristo concedeu autoridade aos discípulos para perdoarem pecados (João 20:23)?

Em João 20:21-23, Cristo concedeu, após Sua ressurreição, uma capacitação especial do poder do Espírito Santo aos Seus discípulos, capacitação esta que lhes permitiria tanto perdoar pecados quanto reter o perdão. Este texto, bem como os de Mateus 16:19 e 18:18 e 19, tem sido usado por muitos para justificar a busca do perdão divino através da confissão a sacerdotes e líderes religiosos. Mas as Escrituras, no seu consenso, não simplificam o perdão divino a esse tipo de prática eclesiástica.

 

A Bíblia ensina, em primeiro lugar, que Deus é quem perdoa os pecados (conforme Isaías 43:25; Jeremias 31:34; comparar com Marcos 2:7 e Lucas 5:21). Esse perdão deve ser buscado diretamente dEle por meio de Cristo (ver João 14:6,13 e 14; 1ª Timóteo 2:5). Em Mateus 6:9-13, Cristo ensinou os discípulos a orarem diretamente ao “Pai” em busca de perdão para as suas “dívidas”. Em 1ª João 2:1 e 2, é dito que podemos obter o perdão para os pecados se buscarmos o único “Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”, que é a “propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”.

 

Somos admoestados também de que as faltas contra outras pessoas devem ser confessadas e restituídas, se necessário, diretamente a elas. Na oração do Senhor, aparecem as seguintes palavras: “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6:12). As implicações dessa afirmação são enfatizadas por Cristo: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6:14 e 15; Colossenses 3:13).

A alusão à autoridade para perdoar e recusar-se a perdoar pecados em João 20:23 é parte da versão da Grande Comissão evangélica encontrada nos versos 21-23, que, por sua vez, está diretamente relacionada com os demais textos que falam dessa mesma comissão (ver Mateus 28:18-20; Marcos 16:15-18; Lucas 24:46-49; Atos 1:5-8). Sobre a passagem de João 20:19-23, o comentarista Raymond E. Brown vê um claro paralelo entre a simples ordem para batizar (Mateus 28:19) e a previsão de como o batismo separaria as pessoas (Marcos 16:16), bem como entre a simples proclamação do perdão (Lucas 24:47) e a previsão das formas nas quais o poder do perdão separaria as pessoas (João 20:23).

 

Cristo concedeu à Igreja, como comunidade dos crentes, a obrigação de receber como membros dela a todos que demonstrarem, por sua conduta, a genuinidade do seu arrependimento. Deu também autoridade de afastar de sua comunhão a todos aqueles cuja conduta representasse uma clara negação da fé. Aceitando uns e rejeitando outros, apoiada nos critérios bíblicos, a Igreja exerce a autoridade de perdoar pecados e reter pecados. É, portanto, com base no princípio de que “pelos seus frutos os conhecereis” (ver Mateus 7:15-23) que os discípulos de Cristo poderiam reconhecer os penitentes, como perdoados por Deus e, consequentemente também por Sua igreja, e os impenitentes, como não havendo sido perdoados.

 

Acácio Palistrini – Serra (ES)

 

Olá pastor Reinaldo, paz. Eu me sinto muito confuso com a história do jovem rico e da comparação que Jesus fez do camelo passar pelo fundo de uma agulha lá em Mateus 19. Muitos pregadores dizem que aquilo foi literal e outros falam que foi só alegoria. Se for literal, então é impossível mesmo um rico ser salvo? Então só os pobres podem ser salvos?

 

Resposta

 

Irmão Acácio, paz e graça.  As questões bíblicas tornam-se inacessíveis para a compreensão humano quando tentamos rebuscar a simplicidade do evangelho, pois Jesus simplesmente quis dizer o que Ele efetivamente disse. Vejamos a explicação para isso.

 

Em Mateus 19:16-30 (ver também Mc 10:17-31; Lc 18:18-30) aparecem o relato do jovem rico, que não conseguiu se desvencilhar de suas posses materiais, e as declarações de Cristo sobre o perigo das riquezas. Depois que o jovem “retirou-se triste”, Cristo afirmou: “Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19:22-24).

 

Alguns comentaristas bíblicos procuraram minimizar o efeito paradoxal da expressão “passar um camelo pelo fundo de uma agulha” reinterpretando o significado dos termos “camelo” e “fundo de uma agulha”.

 

Por exemplo, há quem diga que a palavra “camelo” se refira aqui não ao próprio animal conhecido por esse nome, mas a um “cabo” ou “corda” de navio. Os defensores dessa teoria se baseiam no fato de que alguns manuscritos bíblicos, produzidos vários séculos depois de Cristo, trazem nesse verso a palavra “cabo” em vez de “camelo”. Como no original grego os termos “camelo” (kámelos) e “cabo” (kámilos) possuem certa semelhança entre si, é provável que alguns copistas e tradutores do Novo Testamento tenham substituído intencionalmente o termo “camelo” por “cabo”. Outra teoria popular pretende identificar o “fundo de uma agulha” com uma suposta portinhola lateral nos muros de Jerusalém, pela qual passavam os pedestres quando os grandes portões daquela cidade já estavam fechados. Embora as portinholas de algumas cidades mais recentes da Síria fossem denominadas de “olho da agulha”, não existem evidências de que esse era o caso com Jerusalém nos dias de Cristo. Como a teoria da portinhola surgiu séculos depois de Cristo, não cremos que Ele a tivesse em mente no texto em consideração.

 

As palavras “passar um camelo pelo fundo de uma agulha” são, sem dúvida, uma expressão proverbial semelhante a várias outras usadas no mundo antigo para descrever uma completa impossibilidade. Mesmo na literatura judaica posterior aparecem alusões ao “elefante” como incapaz de passar pelo fundo de uma agulha. Sendo que os discípulos estavam bem mais familiarizados com o camelo do que com o elefante, Cristo decidiu contrastar o maior dos animais da Palestina (o camelo) com o menor dos orifícios conhecidos na época (o fundo de uma agulha).

 

As tentativas de interpretar o “camelo” como um cabo e o “fundo de uma agulha” como uma portinhola acabam enfraquecendo, portanto, a força do argumento de Cristo. O texto de Mateus 19:16-30 deixa claro que o propósito de Jesus era levar Seus discípulos a entender a completa impossibilidade de alguém, semelhante ao jovem rico, ser salvo enquanto ainda apegado às suas riquezas. O problema não está nas riquezas em si, mas no apego indevido a elas. Mas quando o ser humano aceita o convite à renúncia de si mesmo (ver Mt 16:24-26), aquilo que é “impossível aos homens” se torna possível ao poder transformador da graça divina (Mt 19:26).

 

Edileusa Lima – Belém (PA)

 

Querido Pastor Reinaldo amo suas postagens e suas respostas aos leitores. Faz tempo que tenho vontade de lhe pedir ajuda pra tirar uma dúvida minha. Eu assisti na tv a cabo alguns documentários que afirmam que existem provas de que no período da adolescência até os 30 anos Jesus teria viajado para a Índia, Tibet e outros países do Oriente e ali teria aprendido muito daquilo que depois Ele passou a ensinar. Isso também seria prova de que todas as religiões são iguais na essência. Afinal de contas, Jesus realmente fez essas viagens durante a fase da vida dele que a Bíblia não menciona? Obrigada.

 

Resposta

 

Minha irmã Edileusa, Deus abençoe a você, a toda Igreja do Senhor e o simpático povo paraense, a quem muito amo. Dedique mais tempo à Palavra, querida, do que a esses programas. Eles confundem e deformam, muito mais do que instruem. No entanto, uma breve argumentação derruba com facilidade mitos frágeis como esses.

 

Como os evangelhos não mencionam explicitamente o que ocorreu com Cristo dos 12 aos 30 anos de idade, muitas pessoas se sentem na liberdade de conjecturar a esse respeito. Alguns sugerem que nesse período Cristo Se afastou da Palestina para viver em algum lugar do Extremo Oriente. Outros propõem que nessa época Ele tenha Se ausentado da Terra para visitar outros planetas. Já um terceiro grupo alega que Ele permaneceu na Palestina, vivendo uma vida moral relativamente depravada. Mas, por mais originais que sejam essas teorias não passam meras especulações humanas, destituídas de base bíblica e de comprovação histórica.

 

A despeito do silêncio bíblico sobre esses 18 anos da vida de Jesus, existem fortes evidências bíblicas de que Ele continuou residindo em Nazaré até o início do Seu ministério público. Somos informados de que, após a Sua visita a Jerusalém, aos 12 anos de idade, Jesus regressou com José e Maria “para Nazaré; e era-lhes submisso” (Lucas 2:51); que Ele foi criado naquela mesma cidade (Lucas 4:16); que Ele veio “de Nazaré da Galileia” para ser batizado por João Batista no rio Jordão (Marcos 1:9); e que, após o aprisionamento deste, Jesus “deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum” (Mateus 4:12 e 13).

 

Por haver residido em Nazaré todos esses anos, Jesus era conhecido pelos Seus contemporâneos como “Nazareno” (ver Mateus 2:23; 26:71; Marcos 1:24; 10:47; 16:6; Lucas 4:34; 18:37; 24:39; João 1:45; 18:5, 7; 19:19; Atos 2:22; 3:6; 4:10; 6:14; 22:8; 26:9), e os Seus seguidores, como a “seita dos nazarenos” (Atos 24:5). Próximo ao final do Seu ministério público na Galileia, Jesus retornou a Nazaré, qualificada nos Evangelhos de “a sua terra” (Mateus 13:54; Marcos 6:1), sendo reconhecido pelos próprios nazarenos como “o carpinteiro” (Marcos 6:3) e o “filho do carpinteiro” (Mateus 13:55).

Eles jamais O teriam reconhecido como tal se Ele não houvesse exercido tal profissão naquela cidade antes do início do Seu ministério público.

 

Algumas pessoas alegam que João Batista não conhecia a Cristo até ser este batizado por ele (ver João 1:31 e 33), porque Jesus havia Se mudado de Nazaré para outra localidade. Esse argumento não é válido, em primeiro lugar porque ambos estavam geograficamente distanciados um do outro. Enquanto Jesus permaneceu em Nazaré da Galileia (Marcos 1:9), João Batista residia na Judeia (Lucas 1:39, 40, 65 e 80). Além disso, a questão envolvida não era tanto o relacionamento pessoal entre eles, mas o fato de João não haver até então identificado quem seria o prometido Messias (comparar com Mateus 11:2 e 3; Lucas 7:18 e 19).

 

Embora Jesus houvesse exercido a profissão de carpinteiro em Nazaré até os 30 anos de idade, Suas atividades durante esse período não foram registradas nos Evangelhos por não serem tão significativas quanto os eventos relacionados com o próprio ministério de Cristo.

 

Não podemos nos esquecer de que os Evangelhos não são biografias exaustivas de Jesus, e sim “evangelhos” com um conteúdo biográfico restrito ao seu específico propósito salvífico (ver João 20:30 e 31).

 

 

 


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